Buenos Aires, 21 (AE) - "Queremos um Maastricht para o Mercosul", diz o presidente argentino Fernando De la Rúa. "O Mercosul precisa maior institucionalização e tribunais de solução de controvérsias", sustentam os ministros e secretários da área econômica em Buenos Aires.
Mas apesar de tantas manifestações de boa-vontade de maior integração, o governo argentino não está tirando dinheiro da carteira para colaborar com o futuro dos órgãos institucionais do bloco comercial: fontes uruguaias declararam ao Estado que a Argentina não está pagando sua parte dos fundos da Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM), que é o embrião de futuros órgãos supra-nacionais do bloco comercial do Cone Sul, com sede em Montevidéu.
A SAM está com os bolsos vazios, e não poderá pagar seus funcionários no mês de abril. O calote argentino é de US$ 260 mil, e é acompanhado em sua dívida pelo governo paraguaio, que deve US$ 261 mil.
A Argentina reclama que o Brasil não se interessa por uma maior institucionalização do Mercosul, mas, seguindo uma lógica de "faça o que digo, mas não faça o que eu faço", o governo em Buenos Aires não pagou a SAM todo o ano de 1999 e os primeiros meses do 2000.
Durante uma recente reunião de representantes dos países do Mercosul, integrantes do SAM informaram que a situação da Secretaria é "péssima", e afirmaram que as dívidas argentinas e paraguaias equivaliam à metade do orçamento do órgão.
A Secretaria, de estrutura enxuta, foi criada pelo Protocolo de Ouro Preto para servir como "órgão de apoio operativo, pela prestação de serviços aos demais órgãos do Mercosul". A SAM serve como arquivo oficial de documentação do bloco comercial, e se encarrega de publicar as normas adotadas no Mercosul, além de organizar os aspectos logísticos das reuniões do Mercado Comum.
A Secretaria possui funções imprescindíveis para o Mercosul, já que também registra listas de árbitros e especialistas para a solução de controvérsias comerciais.
Até a tarde de hoje, a Chancelaria argentina não havia respondido à Agência Estado sobre os motivos do atraso no pagamento deste país à SAM.

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