Argentina prepara pacote para ampliar exportações Do enviado especial Vladimir Goytia8/Mar, 17:40 Buenos Aires, 08 (AE) -- A Argentina está preparando um agressivo plano para aumentar em 50% as suas exportações nos próximos 4 anos e ampliar o mercado para seus produtos fora dos países do Mercosul. O plano, que deve ser anunciado na próxima terça-feira pelo presidente Fernando De la Rúa, prevê a redução de taxas de financiamento e de impostos hoje considerados prejudiciais para as pequenas e médias empresas, a simplificação da burocracia e ainda a readequação do regime de importação do país. Os detalhes do pacote vêm sendo guardados a sete chaves, já que incluiriam medidas específicas para as exportações ao Brasil. O sigilo vêm sendo mantido para não provocar possíveis atritos com seu principal parceiro do bloco regional. Um informe da Fundação Mediterrâneo feito para a Câmara de Exportadores da Argentina, por exemplo, mostra que este ano o Brasil deve comprar dos argentinos ainda menos do que no ano passado, quando as vendas já haviam caído em relação a 1998. De acordo com esse informe, o mercado brasileiro vem sofrendo uma significativa transformação depois da desvalorização do Real. Essa mudança refere-se à substituição das importações brasileiras por produtos nacionais, diminuindo significamente as compras brasileiras no mercado internacional com impacto direto na balança comercial argentina. De acordo com um diagnóstico oficial, as exportações argentinas sofrem hoje uma excessiva concentração de mercados, de exportadores e de produtos exportáveis, de um reduzido volume de comércio eletrônico, de uma indefinição da política governamental para o setor, de excessos burocráticos e até de corrupção de setores envolvidos no comércio exterior do país. O objetivo do plano é corrigir essas deficiências e possibilitar a inserção de produtos argentinos em outros mercados fora do Mercosul. O governo da Argentina acredita ainda que a queda das exportações para os países do bloco, principalmente o Brasil, não será revertida pelo menos a curto prazo. A idéia é, por isso, reduzir ao máximo a chamada "Brasil dependência", principalmente na área de comércio exterior, já que qualquer mudança no Brasil tem provocado efeitos diretos na Argentina. No ano passado, as exportações totais da Argentina somaram US$ 23,32 bilhões, abaixo dos mais de US$ 26 bilhões registrados em 1998. Desse total, o Mercosul absorveu 30,2%, confirmando a forte concentração das exportações argentinas no mercado regional. Ainda de acordo com dados extra-oficiais do governo, as vendas do país ao mercado externo no primeiro bimestre deste ano teriam crescido 18% em relação ao mesmo período de 1999. Esse indicador mostra, segundo fontes do governo De la Rúa, uma forte necessidade de ampliar ainda mais as exportações argentinas, transformando-as no principal motor da recuperação econômica do país.