A Polícia de Buenos Aires confirmou hoje que um brasileiro está entre as 16 pessoas detidas pela ‘‘Operação Strawberry’’, que na última quarta-feira apreendeu cerca de 2.000 quilos de cocaína no distrito de General Pacheco. Essa é a maior apreensão de cocaína na história da Argentina. A droga veio de Cali (na Colômbia) e seria remetida para Hamburgo (na Alemanha). A carga está estimada em cerca de US$ 100 milhões.
O brasileiro, que não teve seu nome divulgado, é considerado um dos responsáveis pela operação, ao lado de um colombiano e de um argentino. A cocaína estava escondida em tambores de polpa de fruta congelada (principalmente morango, maçã e manga), sob uma temperatura de 15 graus abaixo de zero. Por isso a operação recebeu o nome de Strawberry (morango, em inglês).
A baixa temperatura serviria para confundir aparelhos de raio infravermelho, usados pelas autoridades aduaneiras argentinas para vistoriar cargas que são remetidas para o exterior. As investigações sobre a conexão de traficantes colombianos, argentinos e alemães começou em janeiro de 1996, a partir da confissão de um traficante preso pelo Serviço de Inteligência do Estado (Side). Esse traficante teria alertado o Side sob a presença de um brasileiro (detido na operação) em Buenos Aires, que estaria na cidade fazendo contatos para acertar a reexportação da cocaína que chegaria da Colômbia. Para ‘‘legalizar’’ a operação, foi criada uma empresa especializada em exportação de frutas. Os traficantes compraram um galpão no distrito de General Pacheco e já haviam realizado outras remessas de polpa de fruta congelada para a Alemanha, sempre registradas como produção argentina. Nos casos anteriores, as remessas não continham cocaína - segundo a Polícia de Buenos Aires -, pois o objetivo era desvincular a empresa de qualquer atividade suspeita.
Mais de 20 linhas telefônicas foram grampeadas durante 24 horas, desde janeiro do ano passado. O Side chegou a comprar um galpão em frente ao dos traficantes, onde foi instalado um ponto de observação policial. A Polícia de Buenos Aires informou que foram gastos US$ 5 milhões em toda a operação, que envolveu também a Polícia Federal e o Exército. O carregamento chegou na Argentina pelo porto de Buenos Aires, por onde seria remetido para a Alemanha. A polícia descarta a possibilidade de haver uma ‘‘escala técnica’’ no Brasil. Dois funcionários da polícia aduaneira da Argentina estariam envolvidos com os traficantes - eles estariam entre as 16 pessoas detidas até agora. Os interrogatórios, que serão conduzidos pelo juiz Roberto Marquevich, deveriam começar a ser feitos ainda ontem. A polícia antidrogas da Alemanha também participou da ‘‘Operação Strawberry’’.

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