São Paulo, 06 (AE) - O economista Rudiger Dornbusch, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, afirmou que o novo governo da Argentina, a tomar posse nesta sexta-feira, precisa agir rapidamente para restaurar a confiança na economia do país. Para ele, o novo governo terá de trabalhar duro para mudar uma situação em que os investidores internacionais estão mais focalizados nas dificuldades enfrentadas pela Argentina do que em suas realizações.
"Ao chegar a sexta-feira, precisaremos de alguma notícia realmente boa", afirmou Dornbusch em conferência promovida pelo site de finanças pessoais altoinvest.com. "A complacência é o inimigo", acrescentou o economista.
Já o secretário das Finanças argentino, Miguel Kiguel, procurou minimizar os problemas enfrentados pelo país. "Em parte, acho que é uma questão de percepção", afirmou, destacando que as finanças das Províncias e o déficit em conta cor rente do país estão sob controle e que o desemprego deverá diminuir com a recuperação da economia.
Sobre outros países latino-americanos, Dornbusch mostrou mais otimismo. Ele disse que não espera que o México sofra uma crise cambial relacionada à eleição presidencial do ano 2000. "Acho que há razões importantes para acreditar que isso não vai acontecer", afirmou.
Sobre o Brasil, Dornbusch disse pensar que a economia está se recuperando e que as metas acertadas com o FMI serão cumpridas. "No momento, tudo esá bem", acrescentou.
O economista também disse que o Federal Reserve norte-americano deverá elevar as taxas de juro de curto prazo em algo entre 1 e 1,5 ponto porcentual nos próximos nove meses, de modo a reduzir o crescimento da economia dos EUA para algo em torno de 3% anuais. "Uma desaceleração não vai acontecer por si mesma, e isso quer dizer que o Fed deverá promovê-la", afirmou Dornbusch.

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