Argentina pode restringir a imigração
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sábado, 24 de outubro de 1998
Augusto Gazir Agência Folha 
Os problemas sociais da Argentina, em especial a falta de segurança, estão acirrando a discriminação contra bolivianos, paraguaios e peruanos em Buenos Aires e levando setores do governo a propor medidas para restringir a imigração para o país.
A maior parte dos imigrantes que vivem na Argentina vem dos países vizinhos de língua espanhola. Bolivianos, entre legais e ilegais, são 1 milhão. A população da Bolívia é de 7 milhões.
Segundo o último censo realizado no país, 5% da população argentina (30 milhões) é composta por imigrantes legais em geral, metade deles nascidos em países vizinhos. As proporções se mantêm no universo da grande Buenos Aires (10 milhões de habitantes).
Ninguém sabe com exatidão qual é o total de latinos sem documentos e subempregados no país. Estima-se em 1 milhão, concentrados principalmente na capital. Desses, 300 mil seriam bolivianos e 100 mil, paraguaios. Reconhecemos a tradição argentina de receber imigrantes, mas a crise econômica faz com que o governo endureça a política migratória. Os latinos não são culpados pelos problemas sociais, disse o cônsul do Paraguai na Argentina, Victor Vareiro.
Em agosto passado, o governador de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, pré-candidato a presidente, responsabilizou os imigrantes ilegais pelo desemprego no país. O trabalho na Argentina é para os argentinos, disse ele na época.
Segundo economistas, se todos os estrangeiros fossem substituídos no mercado de trabalho por argentinos, o desemprego de 13% baixaria só 0,5 ponto percentual.
O tema gera conflito dentro do governo federal. O Ministério do Interior defende medidas para dificultar o estabelecimento dos estrangeiros no país. O Ministério das Relações Exteriores é contra. As normas propostas pela pasta do Interior são:
1) o estrangeiro que entra na Argentina como turista não pode mudar de categoria sem sair do país.
2) o imigrante ilegal que cometa delito será expulso, e não mais julgado no local.
Defendemos a imigração com legalidade. Ser imigrante ilegal é um delito, disse o secretário de Segurança Interior, Miguel Toma. Para combater a onda de violência, ele propõe restrições na política migratória. Os ilegais praticam crimes, como assaltos. Segundo ele, imigrantes sem documentos presos pela polícia são hoje orientados a regularizar sua situação.
Enquanto isso, o Fórum de ONGs contra a Discriminação, em Buenos Aires, registra aumento nas denúncias de preconceito racial. No ano passado, chegaram à entidade 320 casos do tipo, 16% do total de denúncias. Em 1996, a discriminação racial foi de 4%.


