Argentina pode fechar mercado para carne suína brasileira
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 24 (AE) - A Argentina poderá fechar o mercado para a carne suína brasileira por causa do foco de febre aftosa detectado no Mato Grosso do Sul em janeiro. A decisão deverá ser tomada em reunião no dia 13 de maio, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Suinocultores, Valdomiro Ferreira Júnior, e se confirmada, afetará profundamente as exportações brasileiras do setor. Do total de 1,6 milhão de toneladas de carne suína produzida no ano passado, o País exportou apenas 81 mil toneladas, ou cerca de 5%. Deste total, 48% das vendas foram destinadas à Argentina, 40% a Hong Kong e o restante diluído para outros países.
Há algum tempo a Argentina já vinha alegando que o governo brasileiro subsidiava a exportação de suínos ao vender milho dos estoques oficiais para os produtores da Região Sul. Com o foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, os argentinos encontraram mais um argumento para evitar a entrada dos suínos brasileiros, que são mais competitivos no mercado. De acordo com Valdomiro Júnior, em razão da desvalorização cambial e das dificuldades impostas pela Argentina depois da constatação do foco de febre aftosa, as exportações no primeiro trimestre deste ano foram reduzidas de 23 mil toneladas para 20 mil toneladas.
A produção e o consumo de carne suína no Brasil permanecem inalterados há quase dez anos, apesar da vantagem comparativa internacional, como clima favorável, preços reduzidos das instalações, mão-de-obra abundante e baixos custos de produção.O setor quer alterar este quadro e a chegada de sete novas empresas genéticas no País para atingir o mercado do Mercosul e a Europa, no futuro, deverá contribuir para isso, na avaliação de Ferreira Junior. O consumo interno de suínos é baixo, de cerca de 10 kg por habitante ao ano, enquanto a média européia é de 42 kg/ano, chegando a 66 kg/ano na Dinamarca.
Os maiores problemas para o Brasil ampliar as exportações, segundo o presidente do Sinasui, são os de natureza sanitária, como a peste suína e a febre aftosa. Com a desvalorização cambial, o setor voltou a ser competitivo e os índices de produtividade nacional estão próximos aos dos países do Primeiro Mundo. O rebanho nacional de suínos é de 36 milhões de cabeças e o setor gera 733 mil empregos em toda a cadeia produtiva. Atualmente, apenas 30% da produção é consumida "in natura" e 70% sob a forma de embutidos e o setor quer dividir esta participação no mercado interno nos próximos três anos. A meta é chegar a dois milhões de toneladas de produção de suínos em 2002, com exportações de 160 mil toneladas, ainda tímidas em relação ao potencial nacional.


