Buenos Aires, 08 (AE-AP) - A Argentina estuda a idéia de confinar o ex-general golpista paraguaio Lino Oviedo em uma fazenda de La Pampa, 600 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires, informaram fontes oficiais argentinas e congressistas do Paraguai nesta quarta-feira (08).
A decisão poderia ser anunciada no encontro de emergência que os presidentes da Argentina, Carlos Menem, e do Paraguai, Luis González Macchi, manterão amanhã na província argentina de Misiones para discutir a crise diplomática causada pela recusa argentina em extraditar Oviedo.
"Estamos estudando detalhadamente a situação", afirmou o ministro argentino do Interior, Carlos Corach. "Ainda não foi tomada nenhuma decisão."
O chanceler paraguaio, José Fernández Estigarribia, confirmou que seu governo foi consultado pelo argentino sobre a idéia. "Estamos conversando a respeito, no marco completo da questão"
disse ele depois de uma reunião com Macchi.
Fernández assinalou que, se Oviedo for mesmo "confinado", será "um passo e um gesto muito importante da Argentina para o Paraguai". O senador paraguaio Luis Mauro disse que a decisão "parece ser iminente".
Na manhã de hoje, o jornal argentino Clarín informara que o governo Menem já tomara terça-feira a decisão de "confinar" Oviedo em algum lugar da Patagônia, entre La Pampa e Ushuahia, capital da Terra do Fogo.
Funcionários argentinos disseram depois que a decisão ainda não saiu, mas "tudo parece indicar que ele vá para La Pampa".
O objetivo seria superar a crise com o Paraguai e reduzir as críticas da oposição à conduta do governo Menem no caso.
O oposicionista Fernando de la Rúa, favorito para vencer a eleição presidencial de outubro, tem condenado duramente a recusa em extraditar Oviedo.
Em protesto contra a não extradição de Oviedo e de seu aliado José Segovia - este, asilado no Uruguai -, Assunção chamou de volta, na sexta-feira, suas embaixadoras nesses dois países.
Ambos responderam fazendo o mesmo, mas hoje, em um sinal de distensão, Montevidéu comunicou a Fernández que seu embaixador será reenviado ao Paraguai "o quanto antes".
Oviedo é acusado de envolvimento no assassinato do vice-presidente paraguaio Luis María Argaña, em 23 de março, enquanto Segovia é procurado pelo desvio de US$ 600 mil do Ministério da Defesa.
Ambos fugiram do Paraguai depois do crime e da renúncia do presidente Raúl Cubas, asilado no Brasil. Oviedo vive atualmente em uma luxuosa fazenda de um amigo de Menem em Moreno, um município vizinho a Buenos Aires. Mas um advogado do ex-general, Federico Kramer, disse que Oviedo admite a possibilidade de abandonar a Argentina.

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