São Paulo, 16 (AE) - O ministro da Economia da Argentina
Roque Fernández, assinará até esta segunda-feira uma resolução para aplicar medidas anti-dumping contra o aço brasileiro, afirmaram hoje fontes do Ministério da Economia. No entanto, haverá "una de cal, una de arena" (uma de cal, outra de areia)
acrescentaram as fontes, citando uma expressão local para dizer que uma medida negativa vem acompanhada de uma positiva: simultaneamente às medidas contra o aço, o governo assinaria uma resolução que reduziria a taxa alfandegária sobre o açúcar brasileiro, o que deixaria os impostos sobre o produto ao redor de 12%.
A aplicação de medidas anti-dumping está sendo encarada como um balde de água fria na reunião de cúpula que o chanceler Luiz Felipe Lampréia terá com seu colega argentino Guido Di Tella nos dias 25 e 26 de abril na Granja do Torto. Na reunião, os dois ministros analisarão os recentes atritos entre seus países, como as negociações entre o Brasil e a Comunidade Andina
de forma separada do Mercosul. Além disso, também conversarão sobre o regime automotivo, cujas negociações estão emperradas há vários meses. Também estava na agenda a discussão sobre o aço e o açúcar.
O alvo da resolução que será assinada é o aço laminado produzido pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A guerra contra esse produto tem sua origem no ano passado, quando a Siderar, empresa siderúrgica do poderoso grupo Techint, acusou a CSN de vender o aço no mercado argentino a preços de dumping. Na ocasião, a Siderar pediu ao governo que fossem colocadas tarifas compensatórias contra a venda do produto da empresa brasileira.
A explicação dada pelo vice-presidente da empresa, Javier Tizado, foi a de que "a CSN está vendendo a chapa laminada quente a preços inferiores aos que é vendida no Brasil". Na época, a resposta do diretor da área de laminados da CSN, Paulo Musetti, foi que "se fizéssemos isso, não poderíamos ter os resultados financeiros que estamos tendo". O pedido da Siderar foi apresentado à Secretaria de Indústria e Comércio, que analisou a possibilidade de dano à indústria local.
Poucos meses depois, o veredito foi favorável à Siderar. Nesse momento, a questão foi passada à Secretaria de Comércio Exterior, que recentemente confirmou o parecer. Além do Brasil, o aço da Ucrânia e da Rússia também seriam alvo da resolução.
Fontes do governo afirmaram que a chancelaria argentina está pedindo ao ministro da Economia que deixe a assinatura da resolução para depois do encontro Lampréia-Di Tella, como forma de não atravancar mais ainda a reunião dos chanceleres. As fontes argentinas, analisando a questão, admitiram que a própria argumentação de seu país é "frágil", e que isso poderia provocar uma temida reação brasileira: uma representação do Brasil contra a Argentina na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Por culpa nossa, a roupa suja de nosso bloco comercial estaria sendo lavada na frente de todo mundo. E aí, como fica nossa imagem?", afirmaram.

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