Buenos Aires, 20 (AE) - O "bife de chorizo", tradicional iguaria argentina feita com a carne da vaca poderá, a partir do ano que vem, ter um especial sabor de clonagem: um projeto da Universidade de Buenos Aires (UBA) pretende conseguir, em 2001, um clone de um bezerro. Com isso, os argentinos pretendem ser os primeiros a clonar um mamífero na América do Sul.
A intenção do projeto é clonar os espécimes bovinos de alto valor agregado, conhecidos por seu rendimento, carne de alta qualidade e de rápido crescimento. Desta forma, o rebanho argentino poderia ser povoado com cópias clonadas de seus melhores animais, elevando ainda mais a qualidade da carne local e aumentando os lucros dos produtores nativos. Gabriel Davit, da equipe da UBA, declarou à imprensa que o procedimento consistirá "na extração de células da cartilagem de uma orelha de um animal adulto, que serão unidas a óvulos que serão implantados em uma mãe portadora, assim possibilitando o nascimento do clone".
O projeto já está em andamento, e terá impulso maior a partir de julho, quando o departamento de Química Biológica da Faculdade de Veterinária da UBA receberá um cientista da Agência Japonesa da Cooperação Internacional (JICA) para assessorar a equipe argentina.
Animal que proporcionou à Argentina décadas de riqueza econômica, a vaca é idolatrada como símbolo nacional. Não é à toa que em lugar da costumeira redação Minhas Férias, os estudantes argentinos escrevem La Vaca.
Mas, os argentinos também querem utilizar a clonagem de vacas com objetivos medicinais. Para isso, existem dois projetos: um é o da Biosidus, uma empresa de biotecnologia que quer conseguir clones de vacas transgênicos. Os clones servirão para proporcionar leite que contenha uma proteína medicinal, que será utilizada no tratamento de pessoas com coágulos causados pelo enfarte do miocárdio.
No país, de cada 100 mil habitantes, 42 morrem por esse motivo. A intenção é a de que, por meio da clonagem, seja reduzido o preço da proteína medicinal. Atualmente, cada ampola do remédio custa US$ 2 mil. Calcula-se que o leite medicinal poderia ser vendido em seis anos.
A terceira experiência com a clonagem de bovinos é desenvolvida pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola . O objetivo é analisar a existência de alterações decorrentes da clonagem na espécie.

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