Argentina pede prorrogação de regime automotivo à OMC
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 29 (AE) - "A Argentina pediu na segunda-feira a prorrogação automática do regime automotivo na Organização Mundial do Comércio (OMC)". A inesperada declaração foi feita por José Manuel De la Sota, governador da província de Córdoba, que hoje, acompanhado pelos governadores das províncias de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, e de Santa Fe, Carlos Reutemann
reuniu-se com o presidente Fernando De la Rúa para discutir o regime automotivo e o êxodo de indústrias argentinas, principalmente de autopeças, para o Brasil.
A declaração causou a surpresa da imprensa, já que há várias semanas os governos dos dois países haviam estabelecido um pacto de silêncio sobre as negociações. Maior surpresa, no entanto, foi a alegação do governo argentino, de que não havia recebido nenhuma proposta de regime provisório por parte do Brasil até o momento. Na quinta-feira passada, o secretário de Indústria do Ministério do Desenvolvimento do Brasil, Hélio Mattar, havia declarado que o acordo transitório automotivo entre os dois países estava fechado. Na ocasião, Mattar afirmou que "o contrato será assinado nos próximos dez dias".
Mas em Buenos Aires a explicação era outra. "Estamos esperando", disse saindo apressadamente do palácio presidencial
a secretária da Indústria e Comércio, Debora Giorgi. "Estamos contra o relógio, e não recebemos nada ainda do Brasil", disse, acrescentando que "não se descarta uma prorrogação do regime. Esperemos que não aconteça, mas os dias estão passando...". No entanto, ao mesmo tempo que a secretária Giorgi especulava sobre uma hipotética prorrogação, dentro da sede de governo o trio de governadores explicava à imprensa que o pedido de prorrogação já era realidade e havia sido encaminhado pelo chanceler Giavarini à OMC.
A declaração dos governadores deixava evidente que tendo ou não uma proposta brasileira, o governo De la Rúa decidiu não esperar o deadline do dia 31 de dezembro para um regime automotivo, e adiantando-se, já protegeu suas costas.
O governador De la Sota afirmou que não havia resposta do governo brasileiro sobre o regime transitório "há pelo menos 24 horas". Os governadores analisaram a decisão de fazer o pedido à OMC:"o fato de não se chegar a um acordo forçou o governo argentino a tomar uma atitude". Segundo eles, os dois governos haviam concordado que o comércio administrado teria as proporções de um para um, "mas o Brasil voltou atrás", disseram sem entrar em detalhes. Além disso, afirmaram que não foi possível chegar a um acordo sobre a porcentagem de peças nacionais: "a Argentina quer 30% e o Brasil só aceita 25%", explicaram.
Segundo o poderoso trio de governadores, cujas províncias abrangem dois terços da população do país, eles preferiam o acordo provisório de 60 dias, e depois o acordo definitivo. "Mas a prorrogação é uma segurança para nossa indústria", argumentaram. "A prorrogação é uma boa notícia, porque assim não haverá uma invasão de produtos nem de fora nem de dentro do Mercosul. A indústria argentina continuará protegida", disse De la Sota, que adquiriu o papel de porta-voz informal do grupo.
Os governadores afirmaram que querem ter boas relações com o Brasil: "queremos relações cordiais, mas também que o governo argentino seja duro nas negociações".
De la Sota também informou que os governadores pediram, e tiveram a concordância de De la Rúa, para que os secretários de Indústria e Produção provinciais sejam incluídos nas negociações futuras do regime automotivo. Segundo ele, durante a reunião De la Rúa pediu ao ministro Machinea que pense em medidas para evitar o êxodo de indústrias argentinas para o Brasil.
O encontro somente teve a presença de pesos-pesados: além do presidente e dos governadores, também estiveram na reunião o chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini; o ministro da Economia, José Luis Machinea; o secretário de Comércio Exterior e Relações Econômicas Internacionais, Horacio Chighizola, e a Secretária de Indústria e Comércio, Débora Giorgi.


