Buenos Aires, 25 (AE) - A diplomacia da Argentina pediu ao Brasil um "perdão" de 30 a 60 dias para a as salvaguardas argentinas contra a importação de produtos têxteis brasileiros. O pedido do Palácio San Martin, sede da chancelaria local, implicaria na permanência destas salvaguardas por mais um ou dois meses, tempo que seria utilizado para convencer o intransigente empresariado nacional a sentar-se à mesa de reuniões com seus colegas brasileiros.
A idéia em Buenos Aires é que da mesma forma que alguns setores (um exemplo é o setor de papel) chegaram a uma auto-limitação das exportações para o país-sócio, o setor de têxteis brasileiro se resigne fazer o mesmo em relação à Argentina.
No entanto, a própria diplomacia argentina confessa que reunir os dois setores empresariais é uma tarefa de Hércules. Ambos lados desconfiam do outro, e os confrontos que se intensificaram a partir de julho do ano passado têm sido muito intensos. Além disso, segundo altos funcionários da diplomacia argentina, o lado brasileiro teria sugerido não ter esperanças de que o pedido argentino possa ser atendido.
Segundo a diplomacia argentina, os brasileiros não estariam dispostos a adiar a suspensão das salvaguardas porque isso seria nocivo para as instituições do Mercosul que ainda estão em estado embrionário: demonstraria que as decisões do tribunal de arbitragem não são acatadas.
O tempo para a resposta brasileira é curto: hoje venceu o prazo para que seja suspenso o sistema de cotas à importação de têxteis elaborados com algodão e derivados. No entanto, o Ministério da Economia pediu à Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM) maiores esclarecimentos sobre a resolução do tribunal de arbitragem. Isto suspendeu por 15 dias o fim das salvaguardas.