Argentina oferece financiamento para pequenas e médias
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de junho de 1999
por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 25 (AE) - Todas as pequenas e médias empresas que tiverem dívidas inferiores a US$ 200 mil por banco poderão refinanciá-las. Essa é a principal medida do pacote de ajuda anunciado pelo governo argentino às empresas com problemas. O total de dívidas das empresas privadas argentinas é de US$ 69,1 bilhões. As dívidas menores à quantia de US$ 200 mil, contempladas pelo plano de ajuda, atingem US$ 4,9 bilhões, ou 6,5% da dívida total.
Segundo o governo, este plano não implicará em custos para o Estado, já que os fundos necessários serão fornecidos pelos bancos. Em troca, os bancos terão uma redução das exigências de capital. O plano terá juros de até 15% anuais e só será permitido para empresas que tenham dívidas com mais de 31 dias de atraso. No entanto, nem todas as empresas endividadas e com esses pré-requistos serão ajudadas: os bancos terão o direito de selecionar as empresas.
Um novo "Plano Brady" é uma das duas opções oferecidas para este refinanciamento das pequenas e médias empresas. Consiste na realização de um prazo fixo, feito pelo devedor no Ministério da Economia com prazos de 5, 10, 15 ou 20 anos. Ao final do prazo, o Estado pagará pelo capital, além dos juros acumulados. O Estado daria ao devedor um bônus no lugar do prazo fixo, que este entregaria ao banco que lhe dará o financiamento. No intervalo, a empresa pagará ao banco os juros de sua dívida.
A segunda opção é o "Bônus Francês", que em vez de utilizar um plano fixo, consiste em que o devedor realizará o pagamento de 15% da dívida em dinheiro e que pagará o restante em parcelas iguais em prazos que poderão ser de 3, 5, 7 ou 10 anos. Além disso, também deverão apresentar uma hipoteca para garantir o pagamento das parcelas.
O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Osvaldo Rial, declarou que o plano possui vários lados positivos, mas que peca pela "alta taxa de juros de 15%" e pelo teto "baixo" de US$ 200 mil em dívidas como mínimo para pedir o refinanciamento. Apesar das reclamações da UIA, o plano de ajuda possui juros menores que os atualmente aplicados pelos bancos às pequenas e médias empresas, oscilando entre 20% e 50% anual.


