Argentina não tem certeza que cumprirá metas com FMI
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 02 (AE) - O governo argentino admitiu que já não tem certeza que poderá cumprir as metas pactadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A revelação foi feita pelo chefe de assesores do ministério da Economia, Miguel Kiguel, que disse que o principal problema será a arrecadação fiscal, que em junho caiu 9,5% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Se não tivesse sido criado um imposto sobre os automóveis para o fundo docente, calcula-se a queda teria sido de 14%.
Não foi o único anúncio que trouxe turbulências: durante uma reunião do gabinete presidencial, o ministro da Economia, Roque Fernández, admitiu pela primeira vez que a recessão argentina continuará até o fim deste ano. Até poucas semanas atrás, Fernández sustentava que a economia se recuperaria no terceiro semestre. Mas agora, o ministro confessa que somente existirão alguns sinais de recuperação no início do próximo governo, que começa em dezembro.
O ministro disse que o FMI lhe informou que os preços dos commodities não vão aumentar, "o que é uma má notícia para o país". Também lamentou-se do aumento de 32% do risco-país argentino nos últimos 20 dias, e comparou-o com o brasileiro, que subiu menos: 11%. Ele disse que o aumento causou o crescimento das taxas de juros para as empresas, que passaram de 7,5% para 9,5% anual.
Fernández também explicou de uma forma cor-de-rosa ao presidente Carlos Menem a queda no consumo: "as pessoas estão gastando menos porque estão poupando". De acordo com o ministro
antigamente o consumo caia quando a receita diminuia. No entanto, atualmente a receita está se mantendo, mas o consumo se reduz. "Estão poupando preventivamente por temor à recessão", sustentou. A otimista explicação de Fernández a Menem, causou indignação em grande parte dos integrantes do gabinete, que disseram ao presidente que o ministro da Economia estava mentido para ele. Menem nada respondeu.
Nesta sexta-feira foi divulgada uma pesquisa feita pelo Instituto para o Desenvolvimento Empresarial da Argentina (IDEA) que ilustra que o empresariado não concorda com o otimismo de Fernández: 51% dos executivos entrevistados das principais empresas consideram que a recessão se prolongará até meados do ano que vem. 63% acha que daqui a seis meses a situação estará pior ou igual.
O economista Roberto Lavagna pensa igual, e afirma que "a deterioração econômica deteve-se, mas ainda não existem elementos suficientes para esperar uma melhora". Este ano terminará com uma queda de 2,5% a 3% no PIB". O economista Aldo Abram considera que o primeiro trimestre do ano 2000 será o pior. Segundo ele, até que o novo presidente tome posse e esclareça qual será sua política econômica, os financistas adiarão as decisões de investimentos.


