Argentina não será origem de uma nova crise na AL, diz Bird
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domingo, 18 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 19 (AE)- O presidente do Banco Mundial (Bird)
James Wolfensohn, descarta a possibilidade de a Argentina transformar-se em origem de uma nova crise econômica na América Latina. Em longa entrevista concedida ao jornal espanhol "El País", Wolfensohn criticou a reação negativa dos mercados em decorrência das declarações de um dos candidatos à Presidência argentina de que recorreria ao Papa para "amortecer" o impacto da dívida externa do país. "Com todo o meu respeito ao Papa, essa não é uma decisão da Igreja Católica, mas dos credores", disse Wolfensohn. "Razão pela qual a reação dos mercados a essas declarações nada tem a ver com a possibilidade de uma intermediação da Igreja, mas dos credores se alguém viesse a sugerir que não pagaria a sua dívida externa".
De acordo com ele, essas declarações sugeriram ao mercado que, na Argentina, havia um problema e que este poderia se estender a toda a região. "É verdade que existem problemas de fornecimento de energia no Equador, alguns incidentes críticos na Colômbia e problemas na Venezuela, assim com no restante dos países, mas se observamos de perto a América Latina
sempre tem algo que preocupa", acrescentou.
Na entrevista ao "El País" o presidente do Bird afirmou ainda que pensa na região em termos de anos e não de dias, razão pela qual, o que tem ocorrido na Argentina nos últimos dias "é um desses tantos caminhos esburacados pelos quais transita a América Latina rumo ao seu desenvolvimento". Para ele, o maior problema na região ainda é o desequilíbrio soccial, a brecha entre pobres e ricos, a maior do mundo.


