Argentina não será foco de crise, diz Wolfensohn
Madri, 19 (AE-AP) - O presidente do Banco Mundial (Bird), James Wolfensohn, descartou nesta segunda-feira (19) a possibilidade de a Argentina transformar-se no novo foco de uma eventual crise financeira latino-americana em decorrência da crise da dívida externa do país.
"Com todo o meu respeito, a decisão de reavaliar as dívidas da argentina é um problema dos credores, não uma decisão do papa", afirmou o executivo do Bird rebatendo a proposta do candidato peronista, governista, à sucessão do presidente Carlos Menem, Eduardo Duhalde, que prometeu pedir a intervenção da Igreja Católica para adiar os pagamentos externos devidos pelo país.
Para Wolfensohn, a reação dos mercados ao pronunciamento de Duhalde nada tem a ver com a possibilidade de intermediação do papa, mas sim com o que pensarão os credores argentinos caso prevaleça a proposta de postergar o pagamento da dívida externa.
O presidente do Bird admitiu que existem alguns problemas de fornecimento de energia no Equador, algumas falhas de segurança na Colômbia e problemas econômicos na Venezuela, bem como em outros países latino-americanos, mas observou que "quando se acompanha de perto a região sempre se encontra um motivo de preocupação".
Wolfensohn disse que a América Latina deve ser analisada com uma visão de longo prazo, não por seu potencial de risco. "Na minha opinião", disse, "o que se viu na Argentina nesses últimos dias foi apenas uma das muitas pedras no caminho do desenvolvimento do país". No entanto, observou, entre todos os problemas da região, o principal é o grande desequilíbrio social. "O abismo entre ricos e pobres é o maior do mundo."
Protestos - Milhares de agricultores argentinos devem reunir-se na capital da Argentina esta semana para protestar contra o governo do presidente Carlos Menem na segunda maior manifestação de protesto já organizada pelo setor desde o início do ano. As manifestações em defesa da redução de tributos, crédito subsidiado e incentivo ao campo devem começar amanhã e podem durar até três dias.





