Argentina não assusta analistas de Wall Street Da correspondência Monica Yanakiew
Washington, 13 (AE) - Bastou que um candidato às eleições presidenciais de outubro questionasse o tamanho da dívida externa argentina, para que a Bolsa de Buenos Aires despencasse, afetando o Brasil, o México e até a Europa. Apesar de o nervosismo ter tomado conta dos mercados, os analistas de Wall Street nunca perderam a calma: nada de novo aconteceu na Argentina para justificar uma moratória, uma mudança de política cambial ou uma crise maior.
"É uma crise temporária", previu Ernst Chip Brown, economista para América Latina do banco de investimentos Morgan Stanley Dean Writter, antes mesmo que o mercado argentino registrasse a recuperação, hoje.
Mesmo assim, o susto foi o suficiente para demonstrar a desconfiança dos investidores na região, e seu novo interesse pelo Sudeste Asiático. E também serviu para chamar a atenção deles para os problemas em cada país - inclusive o Brasil. "Existe um clima de incerteza na América Latina", Michael Henry, do banco de investimentos ING Barings.O Equador, lembrou, está com problemas para pagar sua dívida e não tem apoio da comunidade internacional. A Venezuela poderia estar em situação melhor, agora que o preço do petróleo aumentou, mas está com problemas fiscais e uma reforma constitucional em andamento. E no Brasil, o presidente Fernando Henrique Cardoso está com pouca popularidade e sem apoio político necessário para realizar novas reformas.
Segundo vários analistas, a negociação da Ford com o governo da Bahia para instalar uma fábrica de US$ 1,3 bilhão, em troca de generosos subsídios, demonstrou a fraqueza de Fernando Henrique e a força do presidente do Senado, o baiano Antônio Carlos Magalhães, que insiste em ter a montadora em seu estado. "Não há nada de novo na situação da Argentina ou do Brasil", disse Brown. Mas a falta total de novidades (inclusive das boas) também é um problema.
Hoje - segundo Brown e Peter Egon de Svastich, do banco de investimentos Westhem International - o Sudeste Asiático voltou a ser atraente para os investidores, interessados em ganhar um pouco mais, sem correr altos riscos. O Japão está se recuperando
assim como a Coréia e a Indonésia. "Há novidades: a realização de reformas e a volta do crescimento econômico", explicou Brown. No caso do Brasil houve avanços, mas as reformas levarão tempo. "Não existe um elemento catalizador, para atrair investidores já", acrescentou.
O caso argentino é parecido, disse o economista Paulo Viera da Cunha, do banco de investimentos Lehman Brothers. "Financeiramente a Argentina está bem e tem como honrar seus compromissos, mas economicamente está mal, e não tem perspectiva para melhorar a sua situação", explicou. Com os preços das commodities caindo e uma moeda cara e sem um mercado brasileiro disposto a assimilar suas exportações, como antes, a Argentina está sem margem para crescer, se tornar mais competitiva e reduzir o desemprego.
Mesmo que a América Latina escape de outra crise igual à de janeiro passado, os mercados terão altos e baixos durante os próximos meses - pelo menos até a posse do novo presidente da Argentina, no final do ano.





