Buenos Aires, 22 (AE) - O governo do presidente Carlos Menem estaria disposto a participar ao lado dos Estados Unidos em uma hipotética intervenção militar na Colômbia. Fontes diplomáticas argentinas confirmaram à Agência Estado que o tema está sendo encarado com extremo interesse na Casa Rosada, a sede do governo. A Chancelaria, no entanto, pretende evitar o movimento de convergência da presidência argentina com os EUA, e está elaborando uma proposta de intervenção regional. O projeto do palácio San Martín está especificamente dirigido ao Brasil, e consistiria em uma eventual ajuda sul-americana ao governo de Bogotá, prescindindo dos norte-americanos.
As fontes diplomáticas argentinas afirmaram À AE que nos últimos três meses estão ocorrendo conversações entre o vice-chanceler Andrés Cisneros e o deputado da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, Marcelo Stubrin, para ver de que modo poderia ser gerada uma iniciativa conjunta com o Brasil. No entanto, as fontes ressaltaram que "essas conversações até o momento foram puramente exercícios".
Diplomatas e parlamentares da oposição temem que o recente fracasso nas negociações entre o governo colombiano e as Farc precipitem mais ainda os acontecimentos, que já intensificaram as especulações de que o presidente Andrés Pastrana pediria ajuda norte-americana para o combate da guerrilha. Eles consideram que se o governo norte-americano precisar a cooperação argentina para uma intervenção na Colômbia, "o presidente Menem não hesitará em dar-lhes ajuda".
Menem conclui seu governo no dia 10 de dezembro, e esta ação bélica ao lado dos norte-americanos seria seu último ato na política internacional. O alinhamento de Menem com os EUA data da Guerra do Golfo, quando enviou dois navios ao Golfo Pérsico. Depois, a Argentina participou de diversas missões de Paz da ONU
e há dois anos até reivindicou uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Posteriormente, conseguiu uma aliança extra-OTAN com os EUA, que possibilitou o acesso à créditos para a compra de armamentos (embora usados) e a realização de manobras conjuntas entre as forças armadas dos dois países. Além disso, há três semanas o presidente Menem solicitou ao presidente Bill Clinton que fosse criada especialmente para a Argentina a categoria de "Estado associado" à OTAN. Nos próximos dez dias, 500 militares argentinos estão partindo para Kosovo colaborar com a OTAN.
A possibilidade de envolver-se em um conflito armado faz tremer os candidatos à presidência tanto do governo como da oposição, que ao tomar posse em dezembro veriam seu país imerso em um problema que já está sendo definido como um "potencial Vietnã sul-americano" ou um "Kosovo à latina".
O deputado Stubrin, um dos homens cotados para ocupar o cargo de chanceler no caso de vitória da oposição nas eleições presidenciais de outubro deste ano, confirmou ao Estado as conversações entre a oposição e a Chancelaria e disse que "é uma barbaridade que as diplomacias sul-americanas não estejam fortemente ocupadas no desenvolvimento de uma estratégia que impeça a invasão da Colômbia". Segundo Stubrin, "é paradigmático que o presidente da Bolsa de N. York tenha se reunido com Tirofijo, o líder das FRAC, e que o Itamaraty e o Palácio San Martín somente enviem memorandos".
O potencial chanceler da oposição admitiu que "as coisas não estão fáceis na Colômbia, e que a decisão de Menem associar-se à OTAN gera um clima de suspeitas. Mas as suspeitas devem ser resolvidas, e precisa-se convocar urgente uma reunião de chanceleres da América do Sul para encarar este problema".

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