Argentina impõe sanções contra Paraguai por caso Oviedo
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 13 (AE) - O governo argentino decretou a aplicação de retaliações comerciais contra o Paraguai. O motivo são as declarações do presidente paraguaio, Luis González Macchi, sobre a presença do ex-general golpista Lino César Oviedo.
O ex-militar paraguaio está asilado na Argentina desde março, quando fugiu de seu país, acusado do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña. Macchi afirmou que o asilo de Oviedo foi condedido "de forma indevida" e que o ex-militar realizava "operações fascistas na Argentina".
No entanto, a gota dágua da crise foram as declarações de Nelson Aragaña, ministro da Defesa de Macchi e filho do vice-presidente assassinado, definindo o presidente Carlos Menem como "um sem- vergonha".
A retaliação argentina consistirá no fechamento da zona franca no porto de Buenos Aires. Mas o principal golpe virá de medidas que se restringem ao cumprimento da lei, que no entanto prejudicariam o comércio "informal" do Paraguai, que possibilita grande parte de seu PIB, tais como uma intensa fiscalização do contrabando de cigarros e combustíveis na Tríplice Fronteira.
Além disso, o governo argentino exigirá o cumprimento de acordos do Mercosul que implicam em maior controle das atividades financeiras de casas de câmbio em Ciudad del Este e sobre o tráfico de armas e drogas.
Em um duro artigo publicado no jornal "La Nación", o chanceler argentino Guido Di Tella sustenta que o presidente González Macchi "não possui interesse em recompor a relação com a Argentina". Segundo Di Tella, o Paraguai prefere agravar a situação em função de seus problemas internos, referindo-se à utilização do caso Oviedo como bode expiatório para a grave crise econômica e política do país.
O governo argentino sustenta que as medidas não são motivadas pelas declarações de Macchi. "Elas já haviam sido pensadas há tempo, pois as repetidas irregularidades de procedimentos comerciais paraguaios nos preocupavam". Com ironia, o presidente da Comissão de Relações Externas da Câmara de Deputados, Fernando Maurette, afirmou que "já era hora que o Paraguai mudasse seus modos de produção...e nós já lhe demos bastante tempo para que fizesse isso".
No artigo, o chanceler argentino disparou críticas a González Macchi, dizendo que lhe chamou a atenção que "decidiu prolongar o mandato por quatro anos em vez de convocar eleições". Comentando o assunto, Di Tella afirma que na ocasião "decidimos omitir qualquer comentário" para não criar problemas no período "turbulento" que o país passava após a renúncia do presidente Raúl Cubas Grau. Segundo o chanceler, González Macchi "tem dificuldades em impor sua autoridade".


