Buenos Aires, 23 (AE) - O papel brasileiro terá dificuldades para entrar na Argentina, embora menos que as previstas nas últimas semanas. Segundo a resolução 117/99, os importadores que queiram comercializar o produto terão que apresentar um certificado de qualidade. No entanto, o governo ainda não determinou o prazo que os importadores terão que esperar para conseguir as licenças prévias.
Essa indefinição deve-se à expectativa do governo argentino de que empresários do papel dos dois países cheguem a um acordo de auto-limitação das exportações brasileiras. No caso de um acordo, o prazo seria de 30 dias, menor que no caso dos calçados, cuja espera se estende até 81 dias. A medida complementa a Resolução 653/99, de 7 de setembro, quando foi estabelecido que os exportadores, importadores e produtores de qualquer origem que pretendam comercializar na Argentina terão que ter previamente um certificado de qualidade que confirme a veracidade dos componentes do produto.
O certificado determina que os produtos mostrem uma etiqueta explicando a mistura do papel, marca e país de origem. O papel de imprensa foi excluído destas medidas, fato que é atribuído ao forte lobby dos jornais argentinos que não pretendiam pagar mais pelo papel que usam. Analistas consideraram a medida como um sinal de que o governo pretende fazer as pazes com o Brasil, já que dar uma completa marcha à ré teria complicado sua relação com o setor local de papel.
O Brasil vende à Argentina 53 mil toneladas de papel. Do Uruguai provém 6 mil toneladas, enquanto que somente 2 mil toneladas vêm de fora do Mercosul. Em 1998, as importações de papel no mercado argentino consistiram em 35% do consumo total, enquanto que 65% era de produção nacional. Em 1999, a participação de papel importado, majoritariamente brasileiro, subiu para 42%.

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