Argentina garante recursos para pagar dívidas do 1º trimestre
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Vladimir Goitia (assinatura obrigatória) 
São Paulo, 26 (AE) - Antes mesmo de o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estar fechado, o governo De la Rúa conseguiu, em menos de 50 dias de mandato, financiamento de US$ 4,1 bilhões para honrar seus compromissos do primeiro trimestre deste ano.
A sanção de três leis - Orçamento de 2000, com um duro recorte de gastos de US$ 1,4 bilhão; o Pacto Fiscal, que permitiu congelar a transferência de recursos para as Províncias; e o Pacote Tributário, com a reacomodação de tributos e impostos - e a colocação de US$ 1,25 bilhão no mercado externo com juros menores aos bônus globais colocados no dia 20 pelo Brasil serão mais do que suficientes para honrar o vencimento de US$ 2,8 bilhões de dívida de longo prazo e de empréstimos internacionais e para cobrir cerca de US$ 1,2 bilhão de déficit fiscal.
Este ano, o setor público argentino requer US$ 17,5 bilhões (US$ 14,3 bilhões para pagar títulos públicos). Portanto, o governo precisa de outros US$ 13,4 bilhões até o final do ano. Dos US$ 9,8 bilhões que a Argentina pretende colocar no mercado internacional, US$ 3,4 bilhões já foram concretizados, restando agora US$ 6,4 bilhões ao longo do ano.
"Embora o governo tenha conseguido, até agora, financiamento
seria oportuno chegar a um acordo com o FMI, talvez acertar um volume superior ao do atual permitido pelo Acordo de Facilidades Estendidas (AFE), o que permitiria reduzir a incerteza que existe em relação à viabilização do plano econômico, e abriria as portas de uma rápida recuperação econômica", diz um relatório da Fundação Capital, um dos principais e mais conceituados escritórios de consultoria financeira do país, obtido com exclusividade pela Agência Estado.
Os economistas da Fundação Capital recomendam o governo argentino a não "inovar acordos" com o FMI, mas a maximizar o volume de recursos já acertado com o FMI. "O importante seria dizer sim a um bom acordo e dizer um não a novos desembolsos, já que a experiência regional em matéria de linhas com desembolso não tem se mostrado recomendável, a não ser quando o financiamento internacional está totalmente aberto", afirmam os economistas no relatório.
Para a fundação, dentro das possíveis linhas de assistência às quais a Argentina têm direito, seria preferível um novo Acordo de Facilidades Estendidas, talvez com um volume maior aos US$ 2,8 bilhões, já que o país aumentou a sua quota", conclui a Fundação Capital.
Diante do cenário positivo e tranquilo para o primeiro trimestre, o governo De la Rúa não tem mostrado ansiedade nas negociações com a equipe do FMI que se encontra em Buenos Aires desde a semana passada. "A Argentina prioriza um acordo que sirva e seja útil e não um acordo rápido e ruim", disse uma fonte do governo argentino.
Para a equipe do ministro de Economia, José Luis Machinea, não importa quanto tempo demore a assinatura do acordo com o Fundo, já que, antes disso, prevalecem os interesses do país. A Argentina deve tentar um acordo de três ou quatro anos, mas até agora não se definiu o montante da linha de crédito. Fala-se de US$ 11 bilhões. Porém, seria de contingenciamento, similar à do Brasil. A característica dessa linha é que o dinheiro pode ser utilizado somente em caso de o país sofrer algum "contágio" de crise financeira.
É possível também que o presidente Fernando de la Rúa anuncie ainda esta semana em Davos, na Suíça, onde participa do Forum Econômico Mundial, os principais pontos do acordo com o FMI. Antes, o presidente argentino manterá encontro com o vice-diretor gerente do Fundo, Stanley Fischer.


