Buenos Aires, 09 (AE) - A Argentina emitiu hoje (09) 250 milhões de euros (US$ 262 milhões) em bônus de cinco anos na Europa. A captação ofereceu juros de 592 pontos-base acima dos títulos do Tesouro americano com o mesmo prazo e custou menor que a emissão em que o Brasil voltou ao mercado internacional de dívida, em 22 de abril. O governo brasileiro emitiu na ocasião US$ 2 bilhões em bônus globais de cinco anos, pagando 675 pontos-base sobre os títulos do Tesouro americano de prazo equivalente.
O subsecretário de Finanças da Argentina, Miguel Kiguel, declarou à imprensa que o país precisará US$ 3,7 bilhões para cobrir as necessidades financeiras até o fim do ano. Kiguel sustentou que o governo vai buscar US$ 2,5 bilhões no mercado externo e US$ 1,2 bilhão no mercado interno. Segundo o subsecretário, terceiro homem na hierarquia do Ministério da Economia, o governo pretende obter metade do financiamento no exterior, por meio do lançamento de eurobônus, e a outra metade em dólares.
Kiguel está em Washington para conversar com banqueiros e investidores e analisar a possibilidade de conseguir esse financiamento antes que o Federal Reserve, banco central dos EUA
aumente as taxas de juros.
Kiguel também afirmou que, em breve, o governo estará recebendo recursos do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no total de US$ 2,5 bilhões. Segundo ele, a idéia é assegurar financiamento para o primeiro trimestre do ano 2000. Kiguel sustentou que para esse período seriam necessários US$ 3 bilhões. O subsecretário de Finanças também manifestou preocupação em relação ao ajuste fiscal que será definido pelo Congresso argentino até meados deste mês. "Poderá ser muito light", lamentou, afirmando que o ajuste precisaria ser "mais contudente".
Em meio à crise especulativa que preocupou a Argentina há menos de um mês, alardeou-se que lei de conversibilidade fiscal seria votada no Congresso até meados de junho. No entanto, nem os parlamentares do governista Partido Justicialista (também conhecido por "peronista"), do presidente Carlos Menem, nem os deputados da oposição Aliança UCR-Frepaso estão chegando a um acordo. Um dos pontos de mais resistência por parte do governo é a restrição que a oposição quer aplicar à venda de ativos públicos.
"O peronismo não está em condições de ditar as regras de uma boa lei fiscal; eles queimaram os US$ 45 bilhões conseguidos com as privatizações", atacou o deputado Rodolfo Terragno, um dos principais líderes da UCR. A discussão sobre a conversibilidade fiscal ficou adiada para quarta-feira da semana que vem.
Na semana passada a oposição conseguiu aprovar uma lei que obriga que o governo dê ao sistema previdenciário US$ 200 milhões por mês. O Ministério da Economia contra-atacou propondo um projeto onde esse dinheiro seria obtido com uma contribuição pessoal extra ao sistema previdenciário e implicaria em uma redução salarial de 1% para os trabalhadores.

mockup