Nova York, 17 (AE-DOW JONES) - A Argentina emitiu hoje (17) US$ 1 bilhão em bônus globais de 20 anos, em operação liderada pelo Chase Securities, J.P. Morgan Securities e Deutsche Bank Securities, informou a MCM Corporatewatch.
Os argentinos vão pagar spread de 678 pontos-base acima dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de vencimento em 2028 e juros nominais de 12,177% ao ano. Os papéis pagam cupom (juro pactuado na emissão) de 12,125% ao ano.
O ministro da Economia da Argentina, Roque Fernández, disse, em Nova York, que espera emitir US$ 6 bilhões em bônus globais este ano, "se as condições do mercado permitirem". Se não for possível, disse ele, o país vai buscar apoio de organizações multilaterias.
"Por ora, acreditamos que o mercado estará aberto e teremos acesso a ele", observou Fernández.
Os US$ 6 bilhões em bônus são parte do programa de financiamento da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Roque Fernández disse, na terça-feira à noite, a representantes de bancos norte-americanos reunidos no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York que a Argentina tem conseguido "diferenciar-se e descolar da crise externa no Brasil". Disse também que está otimista, pois o Brasil está "trabalhando duro para aprovar as reformas estruturais no Congresso".
O ministro faz perigrinação pelos EUA para tentar evitar que a crise brasileira contagie a Argentina. Entre os bancos que participaram do encontro com Fernández estavam o Merrill Lynch, o Goldman Sachs, o Republic National Bank e o Citigroup. Todos avaliaram positivamente a situação argentina.
Paulo Leme, do Goldman Sachs, disse que a Argentina "é um caso de tendência positiva. "O ministro fez excelente apresentação", disse William Rhodes, do Citigroup.
Antes, Fernández reuniu-se com representantes das agências de classificação de risco S&P e Duff and Phelps. "Tentamos convencê- los a elevar nossa classificação, mas não obtivemos resposta" sobre quando e se isso ocorrerá, comentou o ministro.
Sobre a possível dolarização na Argentina, Fernández comentou que se trata de um plano muito natural, dado o sistema de câmbio fixo vinculajdo ao dólar adotado no país em 1991, mas indicou que isso levaria de dois a três anos.
A Argentina, segundo o ministro, precisa conversar a respeito com representantes do governo norte-americano para expor a idéia e ver se eles estão interessados.
Para Roque Fernández, a desvalorização do real, que torna os produtos brasileiros mais competitivos, não terá impacto no fluxo comercial do Brasil. Ele acrescentou, contudo, que é cedo para fazer qualquer comentário conclusivo.
O ministro reiterou a previsão de crescimento de 3% para a economia de seu país em 1999. Segundo ele, não será feito nenhum ajuste nas metas econômicas até o fim do primeiro trimestre.
O subscretário de Finanças da Argentina, Miguel Kiguel, disse que as metas fiscais e a pauta de crescimento da economia argentina para este ano "poderão ser revisadas" em abril, quando uma missão do FMI chegar ao país. "Só assim saberemos se aplicaremos ou não medidas corretivas", observou.
Kiguel está em Nova York, acompanhando Roque Fernández, e fez as declarações à Rádio América, de Buenos Aires.

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