Argentina deve mudar política cambial, adverte Furlan
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 21 (AE) - O presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan, alertou hoje que a Argentina deve mudar a sua política de paridade entre o câmbio e o dólar, por causa da crise que o país atravessa. De acordo com Furlan, a gravidade da situação pode facilitar a mudança da constituição argentina que determina a igualdade entre as duas moedas.
"Os momentos de crise são de grande união", analisou Furlan, após assistir a palestra do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, na Academia Brasileira de Letras (ABL).
O empresário citou como exemplo o caso da Venezuela, onde, por causa da crise econômica e social, o presidente Hugo Cháves conseguiu obter uma série de poderes extraordinários para governar, que seriam difíceis de ser concedidos em outra situação. "Temos de estar preparados para a Argentina mudar seu regime de câmbio", afirmou Furlan, que também é presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef).
O vice-presidente do Morgan Stanley para a América Latina, Francisco Gros, que também esteve na palestra de Lafer, foi contrário à tese de Furlan.
Para Gros, ex-presidente do Banco Central, não há, no momento, as "condições catastróficas" que seriam necessárias para que a constituição argentina fosse mudada na parte que determina a igualdade entre o peso e o dólar.
Segundo o banqueiro, a escolha da Argentina para superar a crise foi cortar custos da economia - inclusive o valor dos salários reais. "A alternativa (mudança no câmbio) seria muito violenta", considerou o vice-presidente do Morgan Stanley.
Exportações - Furlan informou que a queda do poder aquisitivo do argentino que já ocorreu neste ano fez com que, de todos os mercados para onde o País exporta frango, o Mercosul fosse o único que registrasse queda das exportações. Segundo ele
as vendas foram reduzidas em 14%, enquanto que o resultado global foi de elevação de 17% das vendas, de janeiro a abril.


