Buenos Aires, 28 (AE) - A Argentina vai receber um crédito stand-by (desembolsos de acordo com o cumprimento de metas) de US$ 5 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) com prazo de três anos, conforme antecipou a Agência Estado há duas semanas, depois de uma entrevista com uma alta fonte do governo argentino por telefone de Buenos Aires.
Esse será um dos principais pontos do novo acordo com o FMI que deverá ser anunciado ainda neste final de semana ou, no máximo, no início da próxima pelo presidente Fernando de la Rúa, que participa, em Davos, do Fórum Econômico Mundial. "O acordo com o FMI será, certamente, um stanbd-by de um prazo de três anos", confirmou o ministro de Economia, José Luis Machinea, ao jornal "La Nación".
Uma alta fonte do Ministério de Economia que acompanha de perto as negociações com o Fundo ratificou à Agência Estado que o crédito ao qual a Argentina terá acesso terá essa características. Essa fonte disse ainda que, no acordo com o FMI
não deve ser incluído o déficit de US$ 3,7 bilhões das 24 Províncias (Estados) no ano passado. A dívida das Províncias chega a US$ 20 bilhões.
Se o acordo sair nesses termos, a Argentina abandonará, depois de um longo período, a modalidade de crédito de facilidades ampliadas, que foi utilizado durante o processo de reformas do governo Menem e ainda estava em vigor. De acordo com o "La Nación", o anúncio do acordo deverá ser feito de forma conjunta entre De la Rúa e Stanley Fischer, vice-diretor gerente do FMI, que manterão encontro amanhã em Davos, na Suíca.
Ontem (27), em Buenos Aires, as reuniões entre a missão do FMI e os técnicos argentinos se estenderam por longos períodos do dia para tentar aproximar, ao máximo, os últimos termos da negociação, que não foi suspensa, conforme anunciaram alguns meios de comunicação.
A difícil situação fiscal das Províncias, ponto central das discussões nos últimos dias na capital argentina entre os membros da equipe técnica do Ministério de Economia e a missão do Fundo, fará parte do memorando (carta de intenções) de política econômica que o governo De la Rúa enviará à direção do FMI para a sua aprovação.
Foi acertado ainda que, na carta, figurará um compromisso para limitar o endividamento das Províncias, por meio de autorizações, antes delas assumirem novas dívidas. "A idéia geral do acordo é que a dívida federal e das Províncias deixe de crescer este ano, se estabilize ou caia ligeiramente", disse Machinea ao "La Nación". Para o ministro, o tipo de crédito não é o mais importante, mas o aval do Fundo para que a Argentina possa ganhar confiança nos mercados internacionais.
A Agência Estado antecipou também esta semana que, mesmo antes de o acordo com o FMI ser fechado, o governo argentino já conseguiu financiamento de US$ 4,1 bilhões para honrar seus compromissos do primeiro trimestre deste ano. Esses recursos serão suficientes para pagar o vencimento de US$ 2,8 bilhões de dívida de longo prazo e de empréstimos internacionais e para cobrir cerca de US$ 1,2 bilhão de déficit fiscal.

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