Brasília, 13 (AE) - O governo da Argentina defendeu hoje a criação de um mercado comum de energia elétrica no âmbito dos países que integram o Mercosul. A proposta foi apresenta pelo secretário de Energia argentino, Daniel Montamat, ao ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. O objetivo é dar competitividade à matriz energética e, posteriormente, permitir a integração com os demais países da América Latina. Montamat acredita que Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai estarão intensificando também a comercialização do gás natural.
O secretário assina amanhã, no Rio, acordo de cooperação com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A idéia é que a agência reguladora ajude o governo daquele país na elaboração de normas para o setor de gás natural. Deste modo, o produto argentino poderia entrar no Brasil atendendo as especificações da ANP. "Vim expressar o interesse da Argentina sobre o lançamento do mercado comum de energia", disse Montamat.
Para o secretário, caso haja vontade política por parte do governo brasileiro, o livre comércio poderia ocorrer dentro quatro anos. Segundo ele, com o aval do Palácio do Planalto, o marco desta integração comercial seria lançado, no próximo mês, pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando de La Rúa
na fronteira dos dois países.
Dentro de três semanas se inicia a exportação de 1.000 MW de energia da Argentina para o Brasil. Este negócio representa US$ 253 milhões ao ano. No encontro com Tourinho, o secretário disse que os produtores de energia argentinos vão analisar a possibilidade de antecipar a venda de mais 1.000 MW de eletricidade para o próximo ano. Esta exportação adicional está prevista para acontecer em 2002. "Vamos fazer o possível para antecipar a oferta de energia para o País", afirmou o secretário.
O ministro explicou, através da assessoria de imprensa, que o governo brasileiro tem interesse no aumento da exportação de energia para atender a demanda nacional. Para Montamat, a proposta desta integração não implicaria em obras nos países do Mercosul já que todos estão interligados por linhas de transmissão. Na avaliação do secretário, existe apenas a necessidade de conversão do potência elétrica, pois os sistemas são diferentes.
Após o encontro com Tourinho, o secretário fez a apresentação desta proposta de integração do mercado de energia ao secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores, Luiz Felipe de Seixas Corrêa. De acordo com Montamat, é importante obter o apoio do Itamaraty já que há também conotação diplomática. Com isso, o apoio das Relações Exteriores asseguraria o desenvolvimento do comércio de energia elétrica no âmbito do Mercosul.

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