Argentina corre risco de não cumprir metas com o FMI
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domingo, 09 de abril de 2000
Por VLADIMIR GOITIA 
São Paulo, 10 (AE) - A Argentina corre o risco de não cumprir as metas do Fundo Monetário Internacional (FMI) - recentemente assinadas - se a economia do país continuar em recessão. O alerta é da Fundação Capital, uma das mais importantes consultorias financeiras do país. Em relatório semanal divulgado hoje (10), a Fundação Capital afirma que o crescimento real de 2 5% do PIB (nominal 4%) projetado para este ano seria insuficiente para atingir as metas, já que essa taxa possibilitaria um aumento de US$ 3,9 bilhões na arrecadação tributária, bem abaixo dos US$ 4,896 bilhões necessários para cumprir com os compromissos assumidos com o FMI.
"Uma moratória poderia aproximar essa cifra à metade, mas os restantes US$ 500 milhões teriam de ser cobertos com um maior ajuste nos gastos do governo, com a antecipação dos vencimentos dos impostos de 2001 ou adiando os pagamentos para o próximo ano", explica a Fundação Capital. Embora a meta não seja impossível de ser atingida, acrescenta o relatório, ficou claro que, para fechar o ano fiscal, seria necessário reativar a economia o mais rápido possível.
Segundo os economistas da Fundação, a evolução da arrecadação de impostos no primeiro trimestre deste ano não foi nada satisfatória, já que a estagnação econômica provocou, por meio de uma deflação de preços, uma queda de 1,4% (nominal) na arrecadação em relação ao mesmo período de 1999. "Isso dificulta o cumprimentos das metas com o FMI", afirma a Fundação. Ainda segundo o relatório, a evolução do IVA (Impostos sobre o Valor Agregado), o principal tributo em termos de recursos e o mais representativo do consumo, registrou uma queda de 5% no primeiro trimestre, em comparação com igual período do ano passado.
O acordo com o FMI prevê que o déficit fiscal no primeiro trimestre deveria ser alcançado sem maiores dificuldades. Levando em conta todos os gastos, pagamentos e transferências, o déficit desse período deve ficar em US$ 2,124 bilhões, pouco abaixo da meta com o Fundo, mas as estimativas para o segundo trimestre mostram um déficit de US$ 1,615 bilhão, três vezes mais ao assinado com o FMI (US$ 540 milhões).
Com isso, o déficit fiscal do primeiro semestre somaria US$ 3 739 bilhões, apenas US$ 961 milhões abaixo do vermelho previsto para o ano todo (US$ 4,7 bilhões). Ou seja, o governo teria apenas essa margem para todo o segundo semestre do ano. "Esta claro que, independentemente do cumprimento das metas fiscais para este ano, o novo acordo com o FMI, somado à lei de solvência fiscal, mostram um grande desafio: alcançar o equilíbrio orçamentário no ano 2003. Para isso, é necessário um crescimento econômico que permita subministrar uma maior nível de arrecadação, mantendo o gasto público total em seu patamar atual", conclui o relatório da Fundação Capital, ao qual a Agência Estado teve acesso.


