Buenos Aires, 23 (AE) - "Não estão ocorrendo contatos diplomáticos argentinos relacionados com a situação da Colômbia". Desta forma, o vice-chanceler argentino, Andrés Cisneros, negou os rumores de que o governo argentino estava disposto a colaborar com os Estados Unidos no caso de uma hipotética intervenção militar na Colômbia para combater a guerrilha das Farc.
Cisneros disse que a Argentina nada faria sobre o tema "sem antes consultar a opinião de nossos vizinhos e sócios na região, especialmente na Colômbia e no Brasil".
O ministro da Defesa da Argentina, Jorge Domínguez, também negou que seu país pretenda enviar homens à Colômbia. "Não recebi nenhum tipo de proposta, e não existe nenhuma possibilidade que isso aconteça", disse.
Segundo ele, "a Argentina não está de acordo com nenhum tipo de intervenção militar na região. Estamos vivendo uma relação muito intensa e positiva com os países do Mercosul. Temos excelentes relações regionais, e não analisamos ou pretendemos participar em movimentos que atinjam os interesses particulares de nenhum país da região".
Fontes das forças armadas disseram à Agência Estado que a decisão de intervir na Colômbia quebraria a tradição argentina de somente participar em conflitos no exterior como forças de missões de Paz da ONU. No entanto, por via das dúvidas, a questão colombiana está sendo acompanhada detalhadamente.
Apesar da negativa sobre os rumores de que o presidente Carlos Menem simpatizava com a idéia que enviar tropas argentinas à Colômbia, fontes diplomáticas sustentaram que o governo argentino está sendo sondado de maneira "não muito informal" pelos Estados Unidos.
O interesse do presidente Carlos Menem em colaborar com os EUA na Colômbia seria mais um passo na aproximação militar que a Argentina iniciou em 1991, quando enviou dois navios à Guerra do Golfo. Há poucos meses, o país passou a ser aliado extra-Otan. Há duas semanas, Menem solicitou ao presidente Bill Clinton que a Argentina fosse aceita como "Estado associado à Otan". O pedido de Menem já possui o apoio declarado da Itália e da Espanha.
Segundo o jornal "Clarín", integrantes do governo argentino reuniram-se com representantes do Departamento de Estado dos EUA
onde analisaram a possibilidade de utilizar na Colômbia as prerrogativas do recém-criado Comitê Inter-americano contra o Terrorismo, da OEA. O comitê, cuja sugestão foi de autoria norte-americana, com o apoio irrestrito da Argentina, autoriza que o país-membro possa pedir ajuda externa para a luta contra o terrorismo. Se o presidente colombiano Andrés Pastrana solicitar esse apoio, o governo dos EUA conta como garantido que Menem imediatamente anunciaria que seus soldados são voluntários.

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