Assunção, 08 (AE-AP) - O governo paraguaio foi consultado por Buenos Aires quanto à intenção do governo Carlos Menem de enviar o ex-general Lino Oviedo para Ushuaia (Patagônia). A informação foi dada hoje em Assunção pelo novo chanceler do Paraguai, José Fernández Estigarribia. Para ele, se Oviedo fosse confinado "seria um gesto muito importante dos argentinos para com os paraguaios". O novo chanceler se encontrou com o presidente Luis González Macchi.
Fernández assumiu o posto em substituição a Miguel Abdón Saguier, demitido sexta-feira passada depois que Buenos Aires negou-se a extraditar Lino Oviedo e Montevidéu a devolver o ex-general e ex-ministro da Defesa, José Segovia Boltes, atualmente exilado no Uruguai. Oviedo e Segovia são acusados pelas autoridades paraguaias de autores intelectuais do assassinato do vice-presidente paraguaio Luis María Argaña, em 23 de março deste ano.
A imprensa da capital argentina confirma a intenção de Menem de confinar Oviedo na Patagônia como uma forma de diminuir as críticas ao seu governo. Acrescenta que o mandatário não entregou o general paraguaio às autoridades do seu país porque ele está na Argentina na condição de asilado e esse status lhe dá garantias.
No dia 24 de outubro os argentinos vão às urnas. Por isso mesmo, o candidato da oposição, Fernando de la Rúa, da Aliança (UCR-Frepaso) aproveitou a situação para criticar a postura de Menem diante do pedido de Assunção.
Roa Bastos vê cumplicidade Para o escritor paraguaio Augusto Roa Bastos existe cumplicidade entre o presidente da Argentina e o general Oviedo. Segundo Roa Bastos, Oviedo é um narcotraficante. Roa Bastos viveu anos na Argentina como exilado e escreveu parte de sua obra neste país. Félix Argaña, filho do vice-presidente assassinado, disse em Assunção que Oviedo não foi expulso do país, e sim que fugiu. Disse ainda que o governo de Luis González Macchi reiterará o pedido de extradição quando o novo governo argentino assumir.
Para o senador paraguaio Luis Alberto Mauro, o governo de Buenos Aires desrespeitou o Paraguai duas vezes no caso Oviedo: primeiro ao dar asilo político a ele e, na segunda, ao permitir que o ex-general continue fazendo política no território vizinho. "Oviedo manda armas e dinheiro para radicalizar as manifestações que estão ocorrendo no Paraguai por causa da difícil situação econômica do país", disse Mauro. O senador lidera uma delegação do Congresso que discute o asilo de Oviedo na Argentina.
Embaixadoras serão mantidas As embaixadoras paraguaias Leila Rachid Lichi (Argentina) e Julia Melilla (Uruguai) serão mantidas em seus postos. A informação é do chanceler paraguaio Estigarribia. Elas tinham sido mencionadas como candidatas a ocupar a vice-chancelaria. O novo nome será levado ao presidente Macchi antes do final desta semana, disse o novo chanceler. Estigarribia ficou bastante animado com a posição dos candidatos presidenciais ao governo da Argentina, Fernando de la Rúa e Domingo Cavallo. Eles aceitam rever o asilo de Oviedo caso ganhem as eleições.
Na próxima semana os chanceleres dos países do Mercosul se encontram em Nova York (EUA). A crise envolvendo Argentina, Uruguai e Paraguai estará na pauta das discussões. A informação é do chanceler uruguaio Didier Opertti. Sobre o encontro de Nova York, Opertti disse que ele servirá para ajustar a agenda das próximas negociações com a União Européia (UE).
Segundo os jornais La Nación e Clarín, foi no encontro do ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach, e o secretário de segurança, Miguel Angel Toma, que o governo levantou a hipótese de mandar Oviedo para a Patagônia. Ele vive atualmente em Moreno, região de Buenos Aires. O governo argentino quer afastá-lo o máximo possível das fronteiras do Paraguai até que terminem as eleições. O episódio tem oxigenado a esquerda, que acha que Menem agiu com desrespeito junto aos paraguaios.

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