Argentina condiciona acordo com EUA a resgate da Aerolíneas
Buenos Aires, 03 (AE-DOW JONES) - A Argentina suspendeu um acordo de aviação com os EUA como parte do plano de resgate da Aerolíneas Argentinas SA. A suspensão do tratado de céu aberto, anunciada pelo ministro da Infra-estrutura, Nicolas Gallo, em entrevista ontem a uma emissora de rádio, mostra que o novo governo do presidente Fernando de la Rúa provavelmente vai negociar com os EUA em seus próprios termos sobre importantes questões bilaterais e, possivelmente, em defesa das empresas nacionais. Isso representará uma quebra no padrão das relações EUA-Argentina sob o governo Menem.
A administração do ex-presidente Carlos Menem e o governo norte-americano haviam concordado, em agosto, em desregulamentar o tráfego aéreo entre os dois países, embora o acordo precisasse ser ratificado pelo novo governo, que tomou posse em dezembro. O acordo, que prevê um aumento gradual dos vôos entre os dois países até junho de 2003, quando o tráfego deveria ser irrestrito, devia abrir oportunidades para a Delta Air Lines e a Continental Airlines, que estão buscando nichos no crescente mercado latino-americano. Entre as companhias aéreas norte-americanas, apenas a American Airlines, da AMR Corp, e a United Airlines, da UAL Corp, podem voar para a Argentina sob as atuais restrições. Seus vôos não serão afetados pela decisão.
A decisão do governo de proteger a Aerolíneas Argentina não surpreende, considerando-se que a companhia perdeu cerca de US$ 125 milhões no ano passado, quando teve vendas de US$ 1 bilhão, e continua sendo uma importante fonte de transporte num país cujo território vai da fronteira com a Bolívia à Terra do Fogo. A empresa enfrenta dívidas de cerca de US$ 800 milhões, o que torna insustentável a continuidade dos prejuízos no longo prazo.
Analistas dizem que a Aerolíneas não tem uma estratégia eficaz e precisa se posicionar como parte de uma aliança global. "A Aerolíneas não é um buraco sem fundo, pode ser arrumada", disse Robert Booth, chairman da consultoria Aviation Management Services Inc, com sede em Miami.
A Aerolíneas Argentinas tem uma estrutura acionária complicada, partilhada por duas holdings; a AMR (American Airlines), Merrill Lynch & Co. e o Bankers Trust, agora uma divisão do Deutsche Bank Ag, todos têm participações nas holdings. O maior investidor, no entanto, é o governo espanhol, que recentemente rejeitou uma proposta da American Airlines para assumir a Aerolíneas Argentina em dez anos. Os espanhóis também tiraram executivos da American da alta direção da empresa e os substituíram por um executivo argentino sênior.
As autoridades espanholas afirmaram que vão apresentar um plano de reestruturação dentro de 40 dias. Pessoas próximas às negociações dizem que o plano prevê uma recapitalização. Se o governo argentino manifestar seu apoio ao plano, é provável que terá de investir para evitar a diluição de sua participação de 5%, ou terá de aumentar sua participação se outros investidores se recusarem a injetar capital na empresa.





