Buenos Aires, 10 (AE) - A Secretaria de Programação Econômica da Argentina informou hoje (10) que as importações provenientes do Brasil caíram 36,8% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado. A Argentina comprou do Brasil US$ 339 milhões.
Embora o anúncio tenha sido feito em tom otimista, para terminar com os boatos sobre uma hipotética invasão de produtos brasileiros, analistas consideram que a redução das importações é um claro sinal de que a Argentina está em recessão. O governo argumenta que não, já que "nos últimos meses aumentaram os depósitos e os créditos para o setor privado".
No primeiro bimestre deste ano, a Argentina comprou US$ 708,8 milhões do Brasil, uma redução de 33% em relação ao mesmo período de 98.
As principal redução ocorreram no setor dos automóveis, de 50,4%. No setor de substâncias e produtos químicos, a queda foi de 28% e no de máquinas e equipamentos, de 25%. Os alimentos e bebidas tiveram queda de 32,9% e as compras de papel, 27%. A venda de produtos têxteis brasileiros para a Argentina caíram 16,9% e os produtos de plástico, 12%.
O secretário de Programação Econômica, Rogelio Frigerio, admitiu que não ocorreu ainda a tão alardeada invasão de produtos brasileiros após a desvalorização do real. Ele afirmou que o Brasil "não nos está inundando com produtos".
Sobre os pedidos dos industriais argentinos por maior protecionismo e a posição do governo de não tomar medidas drásticas, Frigerio afirmou que "isso nos dá razão sobre a prudência que deve ser tida em situações como esta".
Em Buenos Aires, o ministro da Economia, Roque Fernández, afirmou hoje que "seria loucura se o Brasil aplicasse agora a conversibilidade econômica". Segundo Fernández, o Brasil não poderia sustentar esse sistema no atual momento, já que, primeiro, teria de fazer um ajuste fiscal".
O ministro, que nos últimos dois meses apoiou a dolarização para toda a região, mudou de idéia e disse que, "se fosse brasileiro, também seria contra".

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