Argentina coloca restrições a têxteis brasileiros
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terça-feira, 13 de julho de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 14 (AE) - A Argentina colocará restrições à entrada de produtos têxteis brasileiros. O anúncio foi feito pelo secretário de Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, que declarou que as medidas, que consistirão em salvaguardas, entrarão em vigência logo que forem publicadas pelo Diário Oficial, e terão duração de três anos. Além do Brasil, também serão aplicadas restrições aos produtos têxteis de China e Paquistão.
Com esta medida, o Brasil terá as seguintes cotas anuais para colocar seus produtos na Argentina: 390.760 quilos de tecidos de fiamentos de diferentes cores; 147.610 quilos de duck (tecido de ligamentos especiais); 769.175 quilos de tecidos aveludados; 4.626.136 quilos de tecidos para lençóis e 513.947 quilos de tecido misturado de fibra não-contínua e fiamento. Em outubro passado, a Federação Argentina da Indústria Têxtil (Fadit) apresentou reclamação contra a indústria têxtil brasileira.
O argumento da Fadit não toca o tema do dumping, e baseia-se somente em que a indústria local está sendo atingida pelas importações provenientes do Brasil. O protesto da Fadit foi investigado pela Comissão Nacional de Comércio Exterior, que deu o parecer do estabelecimento de cotas, aprovado pela Secretaria de Indústria e Comércio. Esta é a primeira vez que aplicam-se salvaguardas contra o Brasil, por parte da Argentina.
Outro setor delicado nas relações comerciais dos dois países, o do calçado, não sofrerá problemas: o Guadagni sustentou que não estão previstas medidas de salvaguarda contra os calçados brasileiros, embora sejam solicitadas tanto por sindicatos patronais como de operários argentinos dessa indústria.
Guadagni afirmou que nesta sexta-feira representantes da indústria do calçado dos dois países se reunirão em Novo Hamburgo (RS). No encontro, os empresários argentinos tentarão convencer os brasileiros que restrinjam voluntariamente suas vendas à Argentina.
A crise da bolsa portenha e as incertezas sobre o futuro do país fizeram com que a União Industrial Argentina (UIA) pedisse medidas protecionistas ao governo. Guadagni se reunirá no fim desta semana com os industriais para analisar a implementação destes pedidos.
A Embaixada brasileira em Buenos Aires informou à Agência Estado que ainda não tem conhecimento da medida argentina porque ainda não foi publicada no diário oficial local. Segundo a Embaixada, se for concretizada, isso "gerará um precedente que inspira preocupação, principalmente porque as salvaguardas não estão previstas para o Mercosul".


