Buenos Aires, 24 (AE) - A partir do dia 1º de março os frangos e os perus brasileiros terão obstáculos sanitários para entrar na Argentina. A medida foi anunciada no começo da noite de hoje pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agro-alimentar (Senasa), que determinou que os frangos provenientes do Brasil deverão apresentar um certificado demonstrando que estão livres da doença de Newcastle.
Essa doença causa problemas respiratórios nos animais, causando sua morte. A enfermidade foi erradicada nos estados do sul do Brasil. No entanto, isso não foi suficiente para que o governo argentino excluísse da medida seu sócio do Mercosul, com o qual - teoricamente - teria que reconhecer mutuamente as certificações sanitárias.
A resolução número 46/00 do Senasa estabele que o Brasil terá que apresentar o modelo de certificado B (país com doença de Newcastle). Para poder colocar as aves na Argentina, em cada exportação terá que se submeter a um análise sanitário correspondente de 60 aves por lote para demonstrar que o produto não está contaminado.
Analistas consideram que além das acusações de dumping contra os frangos, que estão sendo analisadas pela Comissão Nacional de Comércio Exterior, a alegação da doença de Newcastle seria mais uma manobra do governo para dificultar a importação das aves provenientes do Brasil.
Os obstáculos aos frangos brasileiros são decorrentes dos constantes protestos dos produtores locais, que alegam que existe uma "invasão" destes galináceos.
O anúncio da inclusão do Brasil ocorre poucos dias antes da chegada do ministro da Agricultura do Brasil, Marcus Pratini de Moraes, que desembarca em Buenos Aires neste fim de semana. Na segunda-feira será recebido pelo Grupo Brasil, associação que reúne 193 empresas brasileiras instaladas na Argentina.
Durante a tarde, o ministro terá um encontro com o secrteário da Agricultura argentino, Antonio Berhongaray. Na terça-feira, Pratini de Moraes se reunirá com o Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (COSAV). Está prevista, embora não confirmada, a participação dos ministros e secretários da Agricultura dos países do Mercosul, além da Bolívia e Chile.
Ainda hoje, a Associação de Produtores de Suínos da Argentina (AAPP) alertou o governo para a possibilidade de que 20% dos produtores abandonem a atividade ainda este ano. No total, seriam 600 produtores atingidos. A AAPP afirma que a causa da crise é a importação de suínos do Brasil e da União Européia (principalmente da Dinamarca), que entrariam subsidiados e com menores preços que os locais. No momento, 45% do consumo argentino de carne de porco é de produtos importados.
Entre 1990 e 1998, as importações suínas cresceram de 1.945 toneladas para 71.198 toneladas. Do total de importações suínas, o Brasil participou em 1999 com 64%, e a Dinamarca com 14%.
Os produtores pedem medidas contra os suínos brasileiros, cujo preço caiu graças à desvalorização do real. O presidente da AAPP
Juan Ucelli, declarou à imprensa que são necessárias medidas urgentes, pois além dos pequenos produtores, a entrada de suínos brasileiros já está prejudicando os grandes produtores.
O secretário da AAPP, Andrés Moore, afirmou que suspeitam que a carne suína made in Brazil poderia não estar livre de aftosa, e que não estariam sendo cumpridas de forma correta as verificações sanitárias necessárias. Os produtores também alertam para a importação de animais da Dinamarca, cujas vendas para a Argentina cresceram 119% em 1999.

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