São Paulo, 17 (AE) - A vontade política entre os governos brasileiro e argentino não será suficiente para resolver a guerra comercial que se instalou entre os dois países desde a desvalorização do real, que completou um ano na semana passada. Uma alta fonte do governo argentino confirmou à Agência Estado, por telefone de Buenos Aires, que a Argentina vive hoje uma situação setorial difícil e que a pressão das entidades e associações responsáveis por esses setores sobre o governo De la Rúa está cada vez mais contundente. Essa fonte ratificou que a Argentina será mais firme nas negociações comerciais, conforme declarações duríssimas da secretária (ministra) de Indústria, Comércio e Mineria, Débora Giorgi, feitas ao jornal "Clarín".
Em entrevista publicada hoje, a secretária disse que o governo argentino precisa ser "mais duro" nas discussões com seu principal parceiro no Mercosul. "O bloco regional é uma prioridade, mas é necessário que as regras sejam cumpridas e respeitadas por todos, e, desta vez, a Argentina vai fazê-las cumprir", disse Giorgi. Para isso, acrescentou a secretária, é necessário retomar, com firmeza, as discussões com o Brasil.
"Todos os dias temos recebido informações de que alguma companhia decidiu abandonar a Argentina e transferir a sua produção para o Brasil. Se a desvalorização do real serviu para isso, é melhor, então, os argentinos abrirem as suas portas e começar a importar de países que não fazem parte do Mercosul", disse a fonte consultada pela Agência Estado. Para esse funcionário do governo De la Rúa, o Brasil precisa entender que um mercado comum não funciona sem regras firmes.
Na entrevista concedida ao "Clarín", Giorgi disse ainda que o governo argentino tomará medidas para limitar o êxodo de empresas ao Brasil. "Nos anos anteriores à desvalorização, o governo Menem manteve posições frágeis e houve excessiva tolerância por medo de provocar um cenário pior ao desatado pela desvalorização", disse Giorgi. Para a secretária, o governo anterior não fez cumprir os critérios assinados nos tratados e a imagem do Mercopsul acabou ficando desgastada.
"Para dar continuidade ao Mercosul, onde vão 30% de nossas exportações, é necessário que se estabeleça cláusulas automáticas de compensação frente a prejuízos provocados por eventuais desvalorizações das moedas de um dos sócios e feita de forma unilateral", afirmou. Giorgi informou também que o governo De la Rúa já conta com uma bateria de medidas par defender o mercado interno frente a importações ilegais. "Estamos dispostos a usar todos os mecanismos que estejam a nosso alcance, mas não vamos proteger a nossa indústria fora do marco legal, determinado pela Orgnaização Mundial do Comércio e nos acordos do Mercosul", disse a secterária.
As medidas citadas pela secretária referem-se, por exemplo, a controles legais de preços de produtos ou controles rígidos de qualidade.

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