Buenos Aires, 02 (AE-REUTERS) - O governo argentino admitiu hoje (02) que a economia crescerá este ano menos de 3% e que não conseguirá cumprir a meta de déficit fiscal pactada com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Miguel Kiguel, subsecretário de Financiamento, disse que o déficit fiscal pode ficar acima dos US$ 2,950 bilhões anteriormente combinado. Segundo institutos privados de pesquisa a Argentina cairá numa recessão, o que provocará um novo aumento no desemprego.
Em coletiva à imprensa, Kiguel disse que o crescimento do país em 99 deve ficar em 2,5%. Ele também não descartou medidas de ajuste para conter o rombo fiscal. "Neste momento em que estamos discutindo a pauta de crescimento poderemos também decidir como ajustar e isso também será um tema de discussão com o FMI", explicou.
Uma missão do FMI visitará a Argentina em abril para controlar as metas pactadas sob um acordo de crédito de US$ 2,8 bilhões com três anos para pagar.
Em 98, o governo cortou US$ 1 bilhão em gastos públicos porque a crise da dívida russa provocou uma desaceleração da economia no segundo semestre e uma queda na arrecadação do Tesouro Nacional.
Esta é a segunda vez que o governo revisa sua estimativa de crescimento para 99. No final do ano passado se esperava expansão de 4,8%. Também é a segunda vez que se revisa a meta de déficit fiscal para este ano. No final de 98 uma missão do FMI detectou que a Argentina não cumpriria a meta de déficit previsto para 99 - US$ 2,650 bilhões - e reprogramou a cifra para US$ 2,950 bilhões.
Naquela época o FMI explicou que o pânico financeiro gerado pela dívida russa nos mercados emergentes tinha impedido a Argentina de cumprir com sua meta.
Agora, a principal causa é a desvalorização do real brasileiro.
Na segunda-feira, no Congresso, o presidente Carlos Menem tinha um tom ufanista. Segundo ele, a economia, com suas reservas em plena crise brasileira, cresceu a um ritmo médio de 6% anuais em seu PIB no período de 1991 a 1998. Uma confirmação da queda da atividade econômica veio tão logo Menem terminou seu discurso. A arrecadação de fevereiro caiu 4,5% em relação a fevereiro de 1998.
A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que toda a América Latina continuará sofrendo com a queda dos preços internacionais, de 10% em 98, e que isso fez com que a Argentina perdesse divisas num total de US$ 3,1 bilhões. Segundo a analista Debora Giorgi, da consultoria Alpha, a crise no Brasil, para onde a Argentina enviava 30% de suas exportações totais, fará com que o país perca US$ 1,5 bilhão. Para a Alpha, o desemprego ficará em 15,5%.
A estimativa da consultoria CEMA, de Carlos Rodríguez - influente ex-vice-ministro de Roque Fernández, atual titular da Economia, reconhece que a economia argentina entra em recessão este ano. Para a CEMA, o PIB cairá 1%, com taxas negativas pelo menos até outubro, embora o impacto não deva ser geral, como em 1995, mas localizado no setor industrial.
A consultoria dirigida por Miguel Angel Broda estima a queda do PIB, para este ano, em 0,9%. Já a Fundación Mediterránea, presidida por outro ex-vice-ministro de Economia, Luis Llach, acha que a queda do PIB será de 2,5% e o rombo fiscal de US$ 6 bilhões.

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