Argentina adia conflito dos frangos
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 27 (AE) - Os exportadores de frangos brasileiros terão algum tempo de descanso no conflito comercial com os produtores argentinos: a Subsecretaria de Comércio Exterior deste país resolveu tomar mais tempo para analisar a denúncia de dumping nos frangos provenientes do Brasil. A decisão foi tomada por tempo indefinido, embora algumas determinações legais implicam em que o prazo máximo seja de seis meses. No entanto, os produtores de frangos locais, da Cepa, a associação que os reúne, vão apelar à Justiça daqui a uma semana
quando terminarem as férias forenses, para que sejam aplicadas mais uma vez as cotas para a importação de frangos made in Brazil. As cotas foram aplicadas em dezembro, mas revogadas por uma ação judicial do próprio governo nos últimos dias do ano passado.
A Cepa argumenta que só na primeira quinzena de janeiro entraram no país 4,8 mil toneladas de frangos do Brasil. Segundo a associação, isso é muito superior ao pico máximo nesse mês na última década, de 3 mil toneladas. A Cepa sustenta que a revogação das cotas foi feita de forma incorreta.
Enquanto isso, no front dos calçados, os produtores argentinos prometem retomar o combate, e prolongar de alguma forma a salvaguarda que desde 1997 protege a indústria das importações de fora do Mercosul, e que vence no dia 25 de fevereiro. Esta salvaguarda fez com que as importações caíssem 49% entre 1998 e 1999.
"Será nosso certificado de óbito", alertou o vice-presidente da Câmara da Indústria do Calçado (CIC), Carlos Rúfolo. Ele sustentou que o fim da salvaguardas, somado à concorrência dos calçados brasileiros, fará com que a indústria argentina "desapareça". Segundo ele, "o vertiginoso crescimento das importações provenientes do Brasil torna imprescindível que sejam repensadas as regras do Mercosul". Rúfolo lamentou que "no momento em que o governo argentino afirma que está sendo negociado um relançamento do Mercosul, o presidente FHC anunciou grandes vantagens tributárias nas exportações de calçados de seu país, para que fiquem mais competitivas e entrem em nosso mercado".
No entanto, a Capcica, associação rival que reúne produtores internacionais e importadores, sustenta que os lamentos dos fabricantes argentinos têm outros motivos: "no ano passado, nossa Receita Federal possibilitou adiamentos de dívidas, isenção de tributos e encargos sociais para as empresas que estivessem protegidas por salvaguardas", declarou o presidente da associação, Juan Dumas.


