Argentina adia acordo com FMI
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 26 (AE) - Após quase três semanas de negociações, a Argentina não conseguiu fechar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo fontes do ministério da Economia, as negociações serão retomadas daqui a duas semanas. Também ficou descartado que o presidente Fernando de la Rúa, que se reúne no sábado com o vice-presidente do FMI, Stanley Fischer, utilize a reunião de Davos, Suíça, como pano de fundo para um eventual anúncio do acordo.
O motivo da partida da missão do Fundo, comandada pela economista Teresa Ter Minassian, foi a divergência entre o órgão e o governo argentino sobre o ajuste que as províncias deste país deveriam realizar.
O Fundo pediu uma redução do déficit das províncias em US$ 1 03 bilhão, passando de US$ 3,2 bilhões para US$ 2,37 bilhões. O governo argentino disse que não podia fazer isso, e argumentou que a Constituição o impede de obrigar as províncias realizar um ajuste orçamentário, mas anunciou que poderia "inspirar" os governadores a seguir o exemplo de ajuste por parte do governo federal, embora fora do acordo com o FMI.
Hoje (26) de manhã, o vice-presidente Carlos "Chacho" álvarez, presidente interino enquanto o presidente Fernando de la Rúa está viajando ao exterior, lamentou a atual postura do FMI com a Argentina: "o Fundo está mais duro com este governo do que com os governos anteriores". O próprio ministro da Economia, José Luis Machinea, admitiu que "sempre custa fechar um acordo com o FMI, mas estamos avançando e o acordo não está demasiado longe".
Um rumor em Buenos Aires sustentava que no sábado, em Davos, embora não possa fechar o acordo, Machinea anunciaria como trunfo que o fundo de contingência a ser concedido pelo FMI passaria dos atuais US$ 5 bilhões que estão sendo negociados para US$ 7 bilhões. No momento, o fundo de contingência em vigor é de US$ 2,8 bilhões.


