Assunção, 23 (AE-IPS) - O vice-presidente do Paraguai, Luis María Argaña, assassinado hoje em Assunção, era advogado. Ele presidiu a Corte Suprema de Justiça do país durante toda a década de 80. Foi um seguidor do general Alfredo Stroessner, a quem ajudou a buscar uma justificativa jurídica para a tortura de oposicionistas e o fechamento de veículos de comunicação, como a rádio ABC e ¥anduti.
Todavia, Argaña integrou a primeira equipe de governo do presidente Andrés Rodríguez, o general que derrubou Stroessner em 1989. Ele foi chanceler do governo Rodríguez. Ficou no cargo só um ano por causa de suas críticas ao Mercosul.
No final de 92 ganhou as eleições internas do Partido Colorado para a escolha do candidato a presidente. A apuração dos votos, contudo, foi suspensa em meio a rumores de golpe de Estado para impedir sua postulação e pressões da Embaixada dos EUA que exigia a continuidade democrática.
O suposto líder golpista era o general Oviedo, então chefe da Primeira Divisão do Exército, com base em Assunção. Oviedo apoiou então a candidatura de Juan Carlos Wasmosy, rival de Argaña, que acabou sendo presidente. Quatro anos depois, em abril de 96, Oviedo tentou outro golpe, quando Wasmosy resolveu tirá-lo do cargo de comandante do Exército.
Aborrecido com Wasmosy, Oviedo manteve também distanciamento de Argaña, que recuperou a presidência do Partido Colorado em 28 de abril de 1996. Depois que o general ficou impossibilitado de ser candidato a presidente, por causa da tentativa de golpe em abril de 96, Argaña ganhou o direito de ser companheiro de chapa de Cubas nas eleições de 10 de maio de 98.
Argaña seria o presidente do Paraguai se o julgamento de Cubas fosse adiante.

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