Londrina – De um mercado com poucas perspectivas há cerca de 10 anos para uma profissão em plena expansão. Assim analisa Francisco Pletsch, presidente da 3ª Região do Conselho Regional de Fonoaudiologia. Ele avalia que o impulso se deu principalmente pela crescente incorporação de profissionais da fonoaudiologia em equipes multidisciplinares. "Antes o profissional se limitava ao consultório. Hoje existe uma gama muito maior de oportunidades, tanto em estabelecimentos públicos e privados de saúde e educação, como de organizações ligadas à indústria da comunicação e empresas em geral", detalha.

Segundo Pletsch, até o nível de conhecimento das pessoas sobre a profissão melhorou. Um grande incentivo para os jovens conhecerem mais a fundo a profissão veio do cinema. O filme "O Discurso do Rei" (Reino Unido, 2010), vencedor de quatro Oscars, incluindo o de melhor filme, contou o drama real vivido pelo Rei Jorge VI, da Inglaterra, que contratou Lionel Logue, um fonoaudiólogo, para ajudá-lo a superar a gagueira. Logue foi tido como herói nacional depois de conseguir com que o monarca fizesse no rádio o discurso do início da Segunda Guerra Mundial.

Roseane Beleze acredita que as pessoas conhecem a profissão, mas não fazem ideia da amplitude do campo de atuação do fonoaudiólogo. "As pessoas pensam que o fonoaudiólogo só corrige a fala, sotaques, mas o trabalho é muito mais amplo. Cuidamos desde o bebê até a pessoa que está no leito de morte, entubada, que precisa se comunicar", explica. Ela cita que o fonoaudiólogo é um profissional da saúde de nível superior que pesquisa, previne, avalia e trata distúrbios e alterações de fala, linguagem, voz, audição, aprendizagem e deglutição, além de atuar no aperfeiçoamento dos padrões de fala e voz.

A pouca oferta de cursos de graduação é apontada pelos especialistas na área como um problema que precisa ser resolvido com urgência. No Paraná, a Fonoaudiologia está disponível em sete instituições e o único curso gratuito é o da Unicentro, em Irati. Os outros cursos estão disponíveis em instituições particulares de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Umuarama. "Esta é uma deficiência que encontramos em nossa profissão. São poucas escolas públicas no Brasil", reconhece Pletsch.

O presidente do conselho no Paraná conta que o profissional recém-formado não tem dificuldades para encontrar o primeiro emprego, mas a dificuldade em atrair os jovens ainda é a remuneração, considerada bem inferior se comparada a outras profissões da área da saúde. Segundo Pletsch, o piso salarial hoje é de R$ 3 mil para jornada de 40 horas semanais. "Estamos em campanha para elevar nosso piso para pelo menos R$ 4,5 mil. No momento que atingirmos este objetivo, creio que daremos um grande passo para solidificar nossas conquistas", pontua.

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