Londrina – Os condomínios fechados reconfiguram as cidades menores e dividem os municípios em "guetos" com a privatização das residências e também dos bairros. Essa é a avaliação do sociólogo e professor da Unopar, Wilson Sanches. De acordo com ele, os condomínios horizontais foram criados em pequenas cidades a partir do fim dos anos 1990 para "fugir da violência" e melhorar a "qualidade de vida", mesmo que o morador ficasse longe do local de trabalho.
"Isso é mais perceptível em municípios menores em bairros que passaram a ser monitorados com câmeras e controlam a entrada e saída na área com cancelas até em ruas públicas. Esses locais recebem uma atenção especial do poder público, principalmente nas pequenas cidades, e se tornam mais seguros. No entanto, existe uma exclusão e segregação de outra parte da sociedade", analisa. Segundo o sociólogo, a área privada ainda contribui com a "perda da percepção da realidade" quando "resolve exclusivamente problemas individuais ao invés do problema social".
Sanches explica que classes sociais menos favorecidas têm a possibilidade maior de "fixação" em uma residência do que classes com alto poder aquisitivo. "Neste caso, a pessoa pode alugar ou comprar mais de uma casa neste processo em busca de segurança e conforto com o objetivo de evitar outras classes sociais e bairros com maiores problemas", acrescenta. (R.F.)

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