Área pertence a prefeito
Vânia Casado
De Curitiba
Cerca de 50 motores de veículos de passeio, a maioria de carros importados (Fiat, Ford, Chevrolet, Audi, Volkswagem e Cherokee e BMW), foram desenterrados ontem de manhã num aterro da mineradora Brascal, em Rio Branco do Sul, a 60 quilômetros de Curitiba. O cemitério de motores foi descoberto pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar (P2) após investigações em conjunto com os promotores da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). O aterro é de propriedade do prefeito de Rio Branco do Sul, João Dirceu Nazari, e as investigações apontam para envolvimento do prefeito com Joarez Costa França, o Caboclinho. O advogado do acusado não foi encontrado para falar sobre o assunto.
As escavações iniciaram na noite de sexta-feira e duraram todo o dia de ontem, quando os motores foram retirados de um buraco escavado há mais de cinco metros de profundidade. A previsão é de que um total de 300 motores estejam escondidos no local.
A Polícia Militar e os promotores Luiz Eduardo Albuquerque e Paulo José Kessler acreditam que o sumiço das peças está ligado com o estouro dos desmanches que seriam de Caboclinho, preso desde o dia 30 de março. As investigações apontam que o buraco, onde foram enterrados os motores, foi cavado em dois dias por funcionários da Brascal.
Kessler vinculou o enterro dos motores à necessidade de dar um sumiço imediato às provas que os motores pertenciam às carcaças de veículos roubados. E, ainda, de que o narcotráfico no Paraná está ligado com o roubo e desmanches de veículos. Isso porque os motores foram enterrados há aproximadamente 40 dias, por ocasião da efervescência provocada com as descobertas da CPI do Narcotráfico no Paraná. As investigações foram baseadas em denúncias da população.
Segundo o Major Valdir Copette Neves, do Serviço de Inteligência da PM, após o estouro da loja de desmanches do Caboclinho, em Curitiba, a polícia recebeu a denúncia de que nos dias que a CPI estava no Paraná, vários caminhões retiravam peças da loja durante a noite, permanecendo as carcaças dos veículos. Para Neves esse procedimento revela a intenção de ocultar o crime já que os motores trazem o número de identificação dos veículos. Depois de descobertas as carcaças, faltava encontrar os motores. Ninguém oculta um patrimônio desses, a não ser de ocultar indícios de crime, afirmou.





