Mais de 700 sem-terra invadiram ontem a Fazenda Santa Guilhermina de Quintela, localizada entre os municípios de Sidrolândia e Nioaque, a Oeste de Mato Grosso do Sul, e a 120 quilômetros de Campo Grande. A ocupação do imóvel, que possui oito mil hectares de área total e é propriedade do empresário do setor de frigoríficos, em São Paulo, Fernando Quintela, aconteceu às 4 horas, quando mais de 200 famílias cortaram os arames da cerca nos fundos da fazenda. No início da tarde, já existiam 120 barracas de lona plástica armadas no local.
Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul, Geraldo Teixeira de Almeida, a invasão foi a 10ª ocorrida no MS nos últimos 35 dias, e acontecerão outras ainda neste mês. Explicou que a disposição das quase quatro mil famílias acampadas em 16 municípios é fazer todo o tipo de pressão necessária, para que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) apresse o assentamento.
Em Itaquiraí, a 395 km de Campo Grande, no Extremo-Sul do Estado, cerca de 2,3 mil famílias de sem-terra que há um mês acamparam nas margens da BR-163, depois de serem despejadas da Fazenda Santo Antonio, no mesmo município, estão dispostas a promover novos saques em caminhões de alimentos, a exemplo do que fizeram no início da semana passada, quando saquearam duas carretas que transportavam 60 toneladas de arroz da marca Tio Urbano, e 2,5 mil quilos de frangos limpos que estavam em um caminhão frigorífico. Os líderes desses sem-terra se reúnem hoje com autoridades estaduais pedindo garantia de alimentação para os acampados em Itaquiraí, caso contrário continuarão a realizar saques, conforme garantiram os coordenadores estaduais do MST.
Duzentas famílias que também estão acampadas nas margens da BR-163, em Jaraguari, região Norte do MS e a 70 km da Capital, estão programando para quarta-feira, a ocupação por tempo indeterminado da sede da prefeitura daquela cidade. Segundo adiantou Antonio Gutemberg, líder do acampamento, as 200 famílias ocupam uma área de dois hectares da prefeitura. O prefeito João Vilela solicitou despejo dos sem-terra e a Justiça concedeu liminar nesse sentido, com base na necessidade de se implantar uma horta comunitária no local, sendo que existem áreas melhores para tanto. Dessa forma, os sem-terra interpretam a decisão do prefeito como provocação, e querem, como resposta, invadir a prefeitura.

mockup