Área modelo para reforma agrária custa R$ 132 milhões
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terça-feira, 21 de outubro de 2003
Rosana FélixEquipe da Folha<br> Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O governo federal oficializou ontem a compra de parte da Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel) por R$ 132 milhões. A área adquirida tem 25 mil hectares, sendo que 6 mil hectares serão utilizados na produção agrícola. Pelo menos 1,5 mil famílias serão assentadas de imediato. O governo federal quer transformar a administração da fazenda em modelo para os assentamentos em todo o Brasil.
Os detalhes da compra foram fornecidos ontem durante audiência pública realizada em Curitiba com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart. Rossetto afirmou que o assentamento na Fazenda Araupel será modelo para a reforma agrária no Brasil. ''Conseguimos construir um modelo de reforma agrária com desenvolvimento econômico'', resumiu o ministro. Essa é a maior área comprada pelo governo federal neste ano para reforma agrária.
A fazenda será administrada por um sistema inédito, envolvendo o governo federal, estadual e assentados, que formarão um Conselho Gestor. A WWF (entidade ambiental internacional) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) também vão colaborar na administração.
As áreas adquiridas correspondem às fazendas Rio das Cobras (Quedas do Iguaçu) e Pinhal Ralo (município de Rio Bonito do Iguaçu). O valor pago pela terra nua corresponde a R$ 62 milhões; à área reflorestada, R$ 67,3 milhões; e à infra-estrutura existente, R$ 2,6 milhões. Apenas esse último valor será pago em dinheiro. O restante será pago em Títulos da Dívida Agrária (TDA's) resgatáveis em cinco, dez ou 20 anos.
De acordo com dados apresentados pelo superintendente do Incra no Paraná, Celso Lacerda, o custo de assentamento por família ficou em R$ 32,3 mil. A média para assentamentos considerados tradicionais é de R$ 70 mil. ''Pelos valores de terra atuais no Paraná, conseguimos um valor muito baixo'', observou.
Cada uma das famílias assentadas vai receber uma área de 8,77 hectares. A expectativa é que a renda familiar com produção e comercialização de alimentos chegue a R$ 500 mensais, além do que será produzido para consumo próprio. Os assentados deverão plantar 5,8 mil hectares para o programa Fome Zero, que serão comprados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção deve ser dividida entre soja orgânica, erva-mate, e gado de corte. Os assentados também vão explorar a atividade de reflorestamento.


