Brasília, 07 (AE) - A área devastada na floresta amazônica pode ser duas vezes maior que os 16,8 mil quilômetros quadrados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no início deste ano. Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam) e Centro de Pesquisas Woods Hole dos Estados Unidos, que será publicado amanhã pela revista científica Nature, indica que a devastação pode chegar a até 40 mil kmÍ em anos de seca. Segundo o pesquisador sênior da Woods Hole, Daniel Nepstad, um dos autores do artigo, os dados do governo brasileiro não consideram as queimadas e a exploração seletiva de madeireiras, mas apenas os cortes rasos (abertura de pastos).
"As imagens do satélite feitas pelo Inpe mostram só o desmatamento de uma parte da floresta", disse Nepstad. Ele afirma que mais da metade das áreas alteradas na Amazônia não é registrada. Os dados do Inpe, divulgados no dia 10 de fevereiro, foram obtidos a partir de 47 imagens de satélite que apontaram o desflorestamento de 13.227 kmÍ entre 1996 e 1997, o equivalente a 13,3% da região, enquanto a projeção para 1998 indicava um aumento de 27% na taxa de devastação, podendo chegar a 16,8 mil kmÍ. Em 98, segundo o pesquisador, a devastação pode ter chegado a 40 mil kmÍ. "A seca foi muito severa na região", disse Nepstad.
No artigo, que será a matéria de capa da Nature, Nepstad afirma que as estimativas feitas pelo Ipam e pelo Woods Hole são as de que as queimadas devem atingir anualmente entre 10 mil kmÍ e 15 mil kmÍ, principalmente no oeste e sul do Pará e de Mato Grosso. Enquanto a exploração madeireira, que é mais frequente em Rondônia e no oeste paraense, pode chegar a 15 mil kmÍ. "Em algumas áreas, como no Pará, o problema é mais sério."
Também são comparadas as imagens de satélite obtidas pelo Inpe e pesquisas feitas em campo pelo Ipam e pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). "Nós estamos concluindo os estudos realizados em Paragominas, no Pará, mostrando que há diferença", diz a bióloga Adriana Moreira, presidente do Ipam, que também assina o artigo da Nature.
Uma das imagens do Inpe, feita em Paragominas em 1994, mostra, por exemplo, que perto de 66% da floresta estava intacta e 34% de uma área de 50 kmÍ, devastada. Na averiguação de campo constatou-se que apenas 6% da cobertura florestal não estava alterada. O Ministério do Meio Ambiente não se pronunciou sobre a pesquisa.

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