Área de serviços ofertará 90% das vagas no futuro
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Andrea Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O futuro do emprego está na área de serviços que vai representar 90% das vagas. Hoje, cerca de 65% dos postos de trabalho estão na área de serviços e, nos países desenvolvidos, esse percentual já chega a 85%. O principal ativo será imaterial, ou seja, o conhecimento. Será necessária a educação para a vida toda e a demanda maior será por profissionais generalistas. Isso porque, hoje, o estudante já sai da universidade defasado.
O emprego será voltado para o atendimento de pessoas. Há quatro tipos de serviços que vão demandar mais vagas: pessoais (empregadas domésticas, seguranças), sociais (saúde, educação), distribuição (supermercados, bancos) e produção (design, entre outras áreas). O trabalho vai representar um número de anos menor na vida. Hoje, ocupa 40% a 50% do tempo de vida. Na sociedade pós-industrial chegará a 25% do tempo. As informações são do economista e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, que esteve ontem em Curitiba para proferir a aula inaugural do curso de Economia criado pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR).
Pochmann destaca que, para atuar em serviços, os trabalhadores não precisam necessariamente de um local de trabalho, que pode ser até na própria casa. Ele lembrou ainda que na década de 80, 50% das pessoas tinham ocupação protegida de alguma forma através da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), do emprego privado ou público, percentual que foi caindo ao longo dos anos. Caso não tivesse ocorrido a crise financeira, em 2010, 50% das pessoas estariam neste sistema protegido.
O economista destacou a iniciativa do governo brasileiro de criar a figura do microempreendor individual que traz benefícios como os previdenciários e pode atingir um universo de 20 milhões de pessoas que hoje atuam como autônomos, por conta própria ou como trabalhadores independentes. No entanto, ainda há setores desprotegidos como os cooperados, os terceirizados e os agricultores familiares.
O economista acredita que a superação da crise vai começar no último trimestre de 2009 e que 2010 pode ser um ano singular para a economia brasileira. Destacou que o emprego iniciou uma certa recuperação a partir de fevereiro e que a criação de vagas depende da ocupação, da capacidade ociosa e dos investimentos.
Toda vez que tinha desemprego vinha com pobreza, lembrou. Ele disse que a crise veio sem aumento da pobreza e que o Brasil está diante de um horizonte de superação da miséria. Em 2002, a cada três desempregados, dois eram pobres. Hoje, a cada dois desempregados, um é pobre.
O economista acredita que existe espaço para quem perdeu o emprego com a crise. Isso porque há uma má distribuição da jornada de trabalho. Cerca de 44% dos ocupados têm jornada semanal superior a 44 horas semanais, 33% fazem 30 horas, 9% estão desempregados (8 milhões de pessoas) e 33% dos aposentados trabalham (7 milhões de pessoas).
Para ele, o mundo pós-crise terá novos polos de desenvolvimento e os Estados Unidos não serão mais o centro de tudo. Pochmann acredita que o Brasil pode ser o protagonista do desenvolvimento.


