Cu­ri­ti­ba- O fu­tu­ro do em­pre­go es­tá na ­área de ser­vi­ços que vai re­pre­sen­tar 90% das va­gas. Ho­je, cer­ca de 65% dos pos­tos de tra­ba­lho es­tão na ­área de ser­vi­ços e, nos paí­ses de­sen­vol­vi­dos, es­se per­cen­tual já che­ga a 85%. O prin­ci­pal ati­vo se­rá ima­te­rial, ou se­ja, o co­nhe­ci­men­to. Se­rá ne­ces­sá­ria a edu­ca­ção pa­ra a vi­da to­da e a de­man­da ­maior se­rá por pro­fis­sio­nais ge­ne­ra­lis­tas. Is­so por­que, ho­je, o es­tu­dan­te já sai da uni­ver­si­da­de de­fa­sa­do.
  O em­pre­go se­rá vol­ta­do pa­ra o aten­di­men­to de pes­soas. Há qua­tro ti­pos de ser­vi­ços que vão de­man­dar ­mais va­gas: pes­soais (em­pre­ga­das do­més­ti­cas, se­gu­ran­ças), so­ciais (saú­de, edu­ca­ção), dis­tri­bui­ção (su­per­mer­ca­dos, ban­cos) e pro­du­ção (de­sign, en­tre ou­tras ­áreas). O tra­ba­lho vai re­pre­sen­tar um nú­me­ro de ­anos me­nor na vi­da. Ho­je, ocu­pa 40% a 50% do tem­po de vi­da. Na so­cie­da­de pós-in­dus­trial che­ga­rá a 25% do tem­po. As in­for­ma­ções são do eco­no­mis­ta e pre­si­den­te do Ins­ti­tu­to de Pes­qui­sa Eco­nô­mi­ca Apli­ca­da (­Ipea), Mar­cio Poch­mann, que es­te­ve on­tem em Cu­ri­ti­ba pa­ra pro­fe­rir a au­la inau­gu­ral do cur­so de Eco­no­mia cria­do pe­lo Sin­di­ca­to dos En­ge­nhei­ros do Pa­ra­ná (Sen­ge-PR).
  Poch­mann des­ta­ca que, pa­ra ­atuar em ser­vi­ços, os tra­ba­lha­do­res não pre­ci­sam ne­ces­sa­ria­men­te de um lo­cal de tra­ba­lho, que po­de ser até na pró­pria ca­sa. Ele lem­brou ain­da que na dé­ca­da de 80, 50% das pes­soas ti­nham ocu­pa­ção pro­te­gi­da de al­gu­ma for­ma atra­vés da CLT (Con­so­li­da­ção das ­Leis do Tra­ba­lho), do em­pre­go pri­va­do ou pú­bli­co, per­cen­tual que foi cain­do ao lon­go dos ­anos. Ca­so não ti­ves­se ocor­ri­do a cri­se fi­nan­cei­ra, em 2010, 50% das pes­soas es­ta­riam nes­te sis­te­ma pro­te­gi­do.
  O eco­no­mis­ta des­ta­cou a ini­cia­ti­va do go­ver­no bra­si­lei­ro de ­criar a fi­gu­ra do mi­croem­preen­dor in­di­vi­dual que ­traz be­ne­fí­cios co­mo os pre­vi­den­ciá­rios e po­de atin­gir um uni­ver­so de 20 mi­lhões de pes­soas que ho­je ­atuam co­mo au­tô­no­mos, por con­ta pró­pria ou co­mo tra­ba­lha­do­res in­de­pen­den­tes. No en­tan­to, ain­da há se­to­res des­pro­te­gi­dos co­mo os coo­pe­ra­dos, os ter­cei­ri­za­dos e os agri­cul­to­res fa­mi­lia­res.
  O eco­no­mis­ta acre­di­ta que a su­pe­ra­ção da cri­se vai co­me­çar no úl­ti­mo tri­mes­tre de 2009 e que 2010 po­de ser um ano sin­gu­lar pa­ra a eco­no­mia bra­si­lei­ra. Des­ta­cou que o em­pre­go ini­ciou uma cer­ta re­cu­pe­ra­ção a par­tir de fe­ve­rei­ro e que a cria­ção de va­gas de­pen­de da ocu­pa­ção, da ca­pa­ci­da­de ocio­sa e dos in­ves­ti­men­tos.
  ‘‘To­da vez que ti­nha de­sem­pre­go vi­nha com ­pobreza’’, lem­brou. Ele dis­se que a cri­se ­veio sem au­men­to da po­bre­za e que o Bra­sil es­tá dian­te de um ho­ri­zon­te de su­pe­ra­ção da mi­sé­ria. Em 2002, a ca­da ­três de­sem­pre­ga­dos, ­dois ­eram po­bres. Ho­je, a ca­da ­dois de­sem­pre­ga­dos, um é po­bre.
  O eco­no­mis­ta acre­di­ta que exis­te es­pa­ço pa­ra ­quem per­deu o em­pre­go com a cri­se. Is­so por­que há uma má dis­tri­bui­ção da jor­na­da de tra­ba­lho. Cer­ca de 44% dos ocu­pa­dos têm jor­na­da se­ma­nal su­pe­rior a 44 ho­ras se­ma­nais, 33% fa­zem 30 ho­ras, 9% es­tão de­sem­pre­ga­dos (8 mi­lhões de pes­soas) e 33% dos apo­sen­ta­dos tra­ba­lham (7 mi­lhões de pes­soas).
  Pa­ra ele, o mun­do pós-cri­se te­rá no­vos po­los de de­sen­vol­vi­men­to e os Es­ta­dos Uni­dos não se­rão ­mais o cen­tro de tu­do. Poch­mann acre­di­ta que o Bra­sil po­de ser o pro­ta­go­nis­ta do de­sen­vol­vi­men­to.

mockup