Curitiba - Cerca de 100 famílias ligadas ao movimento Via Campesina ocuparam ontem novamente a fazenda da empresa Syngenta em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel). O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) alegou que não houve ocupação, já que as famílias apenas teriam retornado a uma área onde haviam cultivado.
Ontem, a Procuradoria Geral do Estado informou que a fazenda da Syngenta está sendo desapropriada pelo governo estadual. A justificativa é a implantação de uma área de pesquisa, ensino e extensão voltados ao desenvolvimento de modelos agrícolas sustentáveis.
Em março, militantes da Via Campesina ocuparam a fazenda, alegando que a Syngenta realizava pesquisas com transgênicos na propriedade, próxima do Parque Nacional do Iguaçu. Em outubro, a Justiça determinou a desocupação da área e o pagamento de multa de R$ 50 mil por dia caso o governo do Estado não cumprisse a medida. Os manifestantes saíram do local e acamparam em frente à fazenda.
A Syngenta informou que só irá se pronunciar sobre o decreto de desapropriação hoje.
A Procuradoria Geral do Estado enviou uma cópia do decreto à Folha. O documento está em nome do governador Roberto Requião (PMDB) e do procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, mas não está assinado. A data do documento é de 30 de outubro. Nessa data, Requião não era o governador: ele estava licenciado, devido às eleições, e quem ocupava o cargo era o deputado estadual Hermas Brandão (PSDB).
Perguntado sobre a data, Botto de Lacerda afirmou que a data no documento enviado à Folha estava ''errada''. ''O governador Requião assinou o decreto um dia depois de reassumir o cargo'', disse o procurador. Requião reassumiu o cargo no dia 7 de novembro.

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