Curitiba - Requião anunciou ontem que está encaminhando proposta para a Assembléia Legislativa do Paraná com intenção de desapropriar a Fazenda Monsanto, localizada em Ponta Grossa, e de propriedade do grupo americano Monsanto, que faz experimentos com soja transgênica. A fazenda, ocupada recentemente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), será transformada, pelos planos do governo, em uma escola de agroecologia, conforme reivindica o MST.
''A posição desse governo sempre foi contra a plantação dos transgênicos, até por uma questão de mercado, já que o mundo não quer comprar esses produtos'', disse o governador na reunião com os agricultores familiares. Para o próximo semestre, o governo está elaborando um projeto de lei, a ser apresentado pelo deputado Edson Praczyk (PL), que proibirá o Porto de Paranaguá de exportar produtos transgênicos. ''Com isso, quem comprar grãos no Paraná terá a garantia de que não estará levando transgênicos.'' A bancada do PT já apresentou na Assembléia proposta sobre transgênicos. O assunto está parado e um pedido de regime de urgência aguarda votação.
A Monsanto não quis comentar ontem a atitude do governador. Porém, segundo nota oficial distribuída ontem, ''está segura de que caso isso de fato ocorra, os deputados do Paraná levarão em consideração o impacto que uma ação desse tipo poderá ter na economia, nos investimentos e nos empregos diretos e indiretos no Estado que estarão em risco''.
Requião também anunciou o que chamou de ''primeira intervenção do governo'' na agricultura. A intenção é substituir a cultura de fumo existente no Estado. A Emater está estudando alternativas para a substituição. ''O fumo é um produto nocivo e queremos trocar por outros produtos com garantia de renda para o produtor'', afirmou. O anúncio foi visto com receio pelos agricultores, já que o Paraná é hoje o terceiro maior produtor de fumo do Brasil.

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