A produção e distribuição das ‘‘pílulas milagrosas’’ de frei Galvão estão proibidas na Arquidiocese de Aparecida (SP) por determinação do cardeal arcebispo dom Aloísio Lorscheider. Ele declarou-se contra a distribuição e consumo das pílulas por ver neste ato uma superstição. Devotos têm procurado em vão pelas pílulas no Mosteiro da Imaculada Conceição em Guaratinguetá, litoral paulista.
De acordo com o cardeal, nos dias de hoje já não se justifica essa prática, uma vez que a Igreja tem na hóstia consagrada uma cura muito mais poderosa. ‘‘O próprio corpo e sangue de Jesus que nós recebemos na eucaristia é algo muito mais valioso do que um papelzinho enrolado em uma oração’’, argumentou.
Dom Aloísio disse que proibiu a produção também para que as irmãs tivessem paz e para que as pessoas não fossem induzidas a erro. O cardeal chegou a comparar as pílulas de frei Galvão com os remédios falsos, distribuídos nas farmácias brasileiras. ‘‘Imagine que aconteça alguma coisa com essa tal pílula, que de remédio não 钒, disse. ‘‘Então, quem vai responder por isso’’?, questionou.
No mosteiro em Guaratinguetá, a irmã Josefina informou que não há pílulas. Ela disse que no Convento da Luz, em São Paulo, também não estava fazendo a distribuição. No entanto, de acordo com a irmã Célia Cadorin, postuladora oficial da beatificação de frei Galvão, o Mosteiro da Luz continua produzindo e distribuindo normalmente as pílulas milagrosas.
As pílulas de frei Galvão, beatificado no mês passado, tiveram origem quando o franciscano, impossibilitado de atender uma parturiente com problemas renais, escreveu uma oração num pedaço de papel e a enviou para a moça para que o engolisse. Mãe e filho salvaram-se. A partir desse e de outros fatos, as pílulas tornaram-se famosas.

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