Arcebispo de SP vai pedir ajuda a empresas
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 17 (AE) - O arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes, e outros integrantes da Cúria Metropolitana estão pedindo a empresários, executivos de grandes corporações brasileiras e de multinacionais com sede no Estado que adotem políticas de recursos humanos criativas e solidárias capazes de evitar o desemprego.Hoje, antes de celebrar a missa de lançamento da Campanha da Fraternidade (Sem Trabalho...Por quê?)
d. Cláudio reconheceu que a crise econômica brasileira está sendo mais intensa do que o previsto. Por isso, segundo ele, o texto base da campanha ficou "ultrapassado em alguns pontos".
O texto "A Fraternidade e os Desempregados" foi escrito há cerca de oito meses. Nesse período, um dos fatores de mudança, percebido pela Igreja, foi a perda de credibilidade do governo. D. Cláudio disse que os brasileiros terão de ser ao mesmo tempo criativos e solidários para evitar o aumento da exclusão social.
A proposta será levada aos empresários que se reunirão em julho, no 4.º Encontro de Bispos e Empresários. Algumas das medidas sugeridas pela Igreja são: redução da jornada de trabalho e o fim das horas extras, assim como medidas que coibam as importações. "A economia sozinha não faz a história; faz implodir a história", disse o arcebispo.
Para dar ressonância à luta contra o desemprego, a Igreja usará seu poder de mobilização, agindo em duas frentes: nas cerimônias religiosas e nas comunidades de base. A Pastoral Operária organizará manifestações de desempregados para exigir do poder público, especialmente do governo federal, investimentos em reforma agrária, moradia popular, educação, saúde, bem estar social e estrutura sanitária
Ao longo do ano, nas 3 mil missas celebradas aos domingos na cidade de São Paulo os fiéis repetirão o refrão da campanha - sem trabalho, não fique ninguém. Para ter idéia do que isso representa, há seis meses quando a arquidiocese fez uma pesquisa de frequência, encontrou 500 mil pessoas nas igrejas paulistanas em um único domingo.
Ampliando esse universo para todo o País, esse refrão será repetido em 7,7 mil paróquias e em 100 mil capelas. É uma multidão clamando por emprego. "O povo brasileiro saberá reivindicar seus direitos pacificamente como vem fazendo até hoje", disse d.Claudio.
Caberá à pastoral operária reunir os desempregados dos diversos bairros para criar uma rede solidária de apoio. "Não me recordo de nenhuma outra campanha que tenha tido esse nível de aceitação", disse Waldemar Rossi, o metalúrgico que saudou o papa João Paulo II, em 1980, em nome da classe operária, quando ele esteve em São Paulo e que hoje coordena a pastoral.
Missa - Hoje, durante missa de lançamento da campanha, que reuniu 2 mil pessoas, 91 padres e três bispos na Catedral da Sé, no centro da capital paulista, membros da pastoral conduziram ao altar uma cruz de madeira, que se abria mostrando uma faixa com os dizeres Porque Ninguém nos Contratou, extraída do Evangelho de São Mateus.
Quaresma - O papa João Paulo II abriu hoje, com a celebração da tradicional missa na Colina Aventina, o período da Quaresma. "A Quaresma é o momento de seguir o caminho da conversão", disse.


