Salvador, 18 (AE) - Hoje pela manhã, ao fazer uma conferência sobre evangelização, o arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes, surpreendeu a platéia de quase 300 pessoas que o ouviam, no 4.º Encontro Nacional de Marketing Católico. Ele deixou de lado o tom cauteloso com que costuma pontuar seus pronunciamentos e defendeu, de maneira incisiva, a recuperação de símbolos católicos que vêm sendo deixados de lado por padres e bispos desde o Concílio Vaticano 2.º, nos anos 60. "Os símbolos da Igreja podem ajudar as pessoas a se abrir para Deus, a deixar-se alcançar por Jesus", disse.
Entre os símbolos lembrados pelo arcebispo durante a exposição estão as imagens de santos, que perderam espaço nas igrejas após o concílio, mas continuaram bastante presentes no meio popular. "As imagens não são mágicas, não têm efeito por si só, mas possuem uma representatividade que ajuda as pessoas a alcançar Deus", afirmou.
O arcebispo também defendeu o uso de roupas que identifiquem os padres, como a camisa com colarinho especial ou clergyman. Sugeriu ainda que os párocos organizem eventos com muitos fiéis, como os que são feitos pela Renovação Carismática Católica, porque permitem experiências místicas importantes aos fiéis e a vivificação da Igreja.
D. Cláudio lembrou até a necessidade de se dar mais visibilidade aos templos católicos nas cidades, com as cruzes bem destacadas. Enfático, previu que, se os símbolos católicos não forem revalorizados, dentro de algum tempo as crianças não se lembrarão sequer do significado da cruz. "Não estamos sabendo como pregar o kerigma com a força do passado", falou, utilizando a palavra grega que significa a tarefa de despertar a fé nas pessoas.
Visibilidade - De acordo com d. Cláudio, numa sociedade cada vez mais pluralista, a identificação da Igreja Católica é uma exigência. "Todo o mundo quer saber com quem está falando"
disse. "Trata-se de mostrar à sociedade o que temos a oferecer - e nós estamos oferecendo uma coisa que todo mundo quer: a felicidade." O arcebispo defendeu categoricamente o uso da TV, do rádio, da Internet e das técnicas de marketing no esforço para se dar visibilidade à Igreja e anunciar o Evangelho. Usar esses meios e técnicas, segundo d. Cláudio, significa dar continuidade à tradição e doutrina da Igreja, que se preocupou em utilizar símbolos e ter visibilidade desde a instituição dos sacramentos. "Cristo se tornou palavra e imagem e, quando instituiu os sacramentos, utilizou sinais visíveis para todos, como a água, o pão e o vinho", disse. "Se a TV nos oferece a possibilidade de conjugar palavra e imagem para levar a mensagem de Cristo é fundamental saber utilizá-la."
Com a conferência de hoje d. Cláudio mostrou de maneira clara que pretende seguir um caminho bastante diferente do que foi trilhado por seu antecessor. O cardeal d. Paulo Evaristo Arns valorizava o trabalho das pequenas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) entre os pobres da periferia da cidade. Ele também considerava indissolúveis o trabalho de evangelização e as lutas populares por maior justiça social. D. Paulo não fazia questão que os padres se identificassem como tais, mas, sim, que se misturassem às pessoas comuns.

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