Arcebispo de Salvador diz que salário mínimo é humilhante8/Mar, 17:24 Por Biaggio Talento Salvador, 08 (AE) - O arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, o bispo mineiro d. Geraldo Majella Agnelo, afirmou hoje que o salário mínimo brasileiro é "humilhante". Ele participou na capital baiana, do lançamento da Campanha da Fraternidade. Ele achou insuficiente a proposta de mínimo de US$ 100,00, defendida pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "US$ 100,00 é pouquíssimo mesmo para o Brasil, onde o custo de vida ainda é baixo em comparação com outros países", disse. Na visão de d. Geraldo, o salário mínimo brasileiro deveria "garantir o sustento de sua família (do trabalhador), saúde e educação ao alcance de todos, e moradia digna". D. Geraldo afirmou que o atual valor (136 reais) "não dá para quase nada". Segundo o arcebispo, que assumiu o cargo de chefa da Igreja em Salvador no primeiro semestre de 1999, em substituição a d. Lucas Moreira Neves, o ideal seria que o trabalhador pudesse estabelecer o salário mínimo. Para se adequar à Campanha da Fraternidade desde ano, cujo tema é Dignidade Humana e Paz, d. Geraldo acha que a primeira ação do governo deveria ser priorizar a remuneração do trabalho e não do capital. Sendo um ano eleitoral, o bispo assegurou que a Igreja tem o dever de orientar os devotos a eleger candidatos bons, "que já demonstraram trabalhar para o bem comum e não para si próprios". O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Jaime Chemello, afirmou que um salário mínimo de US$ 100,00 e até mesmo de US$ 200,00 é "insuficiente" para trabalhador o brasileiro ter uma vida digna. D. Jaime evitou mencionar o valor que considera ideal para o salário mínimo, pois, segundo ele, é preciso fixar um piso compatível com a economia do País, de modo a se evitar ondas de desemprego. Citou o caso das empregadas domésticas, observando que, se for fixado um mínimo muito alto para essa categoria, a maior parte delas será demitida. Mas, segundo o bispo, um mínimo de US$ 200,00 ainda seria "insuficiente" para o trabalhador.